A violência contra a mulher foi o tema central da 9ª edição da Simulação Internacional Marista, realizada na última semana na Assembleia Legislativa (Ales). O auditório Hermógenes da Fonseca recebeu estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio da unidade Marista de Terra Vermelha, em Vila Velha.
Durante a atividade, os alunos participaram de uma simulação do Congresso Nacional, discutindo propostas relacionadas ao enfrentamento da misoginia e à promoção da equidade de gênero. O vice-diretor educacional da escola, Rodolfo Bernardino, explicou a proposta pedagógica do evento.
Segundo ele, a iniciativa estimula o pensamento crítico e o engajamento dos jovens em temas globais. “Os estudantes são desafiados a discutir política internacional e a refletir sobre a realidade do mundo, buscando compreender e dialogar sobre esses assuntos ”, destacou.
Bernardino ressaltou ainda a importância de abordar o tema da violência contra a mulher dentro do ambiente escolar. Ele lembrou que o Espírito Santo apresenta índices preocupantes nesse tipo de crime e que a formação dos estudantes é essencial para transformar essa realidade. “É fundamental que os alunos compreendam a gravidade da misoginia e se envolvam em ações que promovam respeito e igualdade”, afirmou.
Entre os participantes, o estudante Luiz Philipe Candido Nunes, de 17 anos, destacou a relevância do debate. Para ele, a violência contra a mulher está muitas vezes inserida em estruturas sociais que reforçam desigualdades. “Ainda existe a ideia equivocada de superioridade masculina. No entanto, as mulheres ocupam cada vez mais espaços e demonstram sua capacidade em todas as áreas”, disse.
O estudante também enfatizou a necessidade de maior conscientização por parte dos homens. “É importante que os homens participem dessas discussões para entender que o lugar deles é de igualdade, não de superioridade”, pontuou.
Outro ponto abordado foi a violência no ambiente digital. Luiz Philipe alertou para práticas como a objetificação feminina e o uso de perfis falsos nas redes sociais. “As redes têm grande alcance e precisam ser usadas com responsabilidade. É essencial valorizar e respeitar as mulheres também no ambiente virtual”, afirmou.
A abertura da simulação contou com a participação da deputada Camila Valadão (Psol), que destacou a importância de dialogar com os jovens sobre temas urgentes. Para ela, o combate à violência contra a mulher passa também pela desconstrução de discursos de ódio. “Precisamos enfrentar narrativas que reforçam preconceitos e buscar construir uma cultura de respeito entre as novas gerações”, declarou.
A parlamentar também defendeu a aprovação do Projeto de Lei 896/2023, conhecido como “PL da Misoginia”, que tramita no Congresso Nacional. A proposta prevê a criminalização da misoginia e integra medidas de combate à violência de gênero.
Além disso, Camila Valadão reforçou a necessidade de regulamentação das redes sociais como estratégia para reduzir discursos de ódio e promover um ambiente digital mais seguro. “É fundamental avançar na construção de espaços virtuais que contribuam para a justiça, o equilíbrio e o enfrentamento das desigualdades”, concluiu.
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