Uma vez por ano, as ruas de Madureira, no subúrbio carioca, se transformam em um grande espaço de celebração e reivindicação de direitos durante a Parada do Orgulho LGBTI+. No entanto, organizar o evento envolve desafios que vão além da festa, especialmente quando se trata de infraestrutura e segurança.
De acordo com a organizadora Rogéria Meneguel, a realização da Parada exige adaptações específicas do território. Um dos principais obstáculos é o emaranhado de fios nos postes, que precisa ser suspenso para permitir a passagem dos trios elétricos. Além disso, em dias de chuva, a estrutura fica comprometida.
Diferente da Avenida Atlântica, em Copacabana, onde há maior infraestrutura, Madureira demanda soluções alternativas. Por isso, desde o ano passado, o evento passou a ser realizado no Parque de Madureira, buscando garantir mais segurança e viabilidade logística.
Para fortalecer a organização das Paradas em diferentes regiões, acontece neste sábado (25), no centro do Rio de Janeiro, o Encontro Estadual de Paradas do Orgulho LGBTI+. A iniciativa promove a troca de experiências entre lideranças de diversos territórios.
Segundo Cláudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+, a cooperação entre cidades é essencial. “O que funciona em um lugar pode servir de referência para outro. Essa união amplia a visibilidade das pautas e fortalece a luta coletiva”, afirmou.
Além das questões estruturais, os organizadores também enfrentam desafios sociais, especialmente em municípios menores. Em Arraial do Cabo, por exemplo, o ativista Rafael Martins destaca a resistência conservadora como um obstáculo constante.
Mesmo diante dessas dificuldades, iniciativas locais têm encontrado alternativas. Parcerias com comerciantes e apoio da comunidade têm sido fundamentais para viabilizar os eventos, mostrando que a mobilização vai além do poder público.
O encontro estadual reúne representantes de pelo menos 35 municípios e retoma uma articulação que não ocorria há cerca de uma década. A programação inclui debates sobre organização, financiamento, engajamento social, sustentabilidade e promoção de direitos.
A agenda também prevê a construção coletiva de um calendário estadual das Paradas, com o objetivo de fortalecer a cooperação entre os territórios. Algumas datas já estão definidas, como as Paradas de Arraial do Cabo, marcada para 13 de setembro, e de Copacabana, prevista para 22 de novembro. Já a de Madureira deve ocorrer em novembro, embora ainda sem data confirmada.
Ao final do encontro, será elaborada uma série de recomendações para fortalecer os movimentos e ampliar a incidência política das pautas LGBTI+. Atualmente, o Brasil conta com Paradas em mais de 500 cidades, sendo o estado do Rio de Janeiro um dos destaques em número de mobilizações.
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