Agricultoras familiares de Linhares, Rio Bananal e Colatina estão recebendo apoio técnico e tecnológico para ampliar a produção de cacau de qualidade no Espírito Santo. A iniciativa faz parte do projeto Mulheres do Cacau: Tecnologia, Autonomia e Empoderamento Feminino, desenvolvido pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), em parceria com a Fundagres Inovar e o Banco do Nordeste, por meio do Fundo de Desenvolvimento Econômico, Científico, Tecnológico e de Inovação (Fundeci).
O projeto prevê a implantação de 15 unidades de observação de cacau cultivado em Sistemas Agroflorestais (SAFs), além da instalação de 15 unidades demonstrativas para beneficiamento de amêndoas. A proposta busca fortalecer a participação feminina na cadeia produtiva do cacau, agregando valor à produção e promovendo sustentabilidade no campo.
As produtoras participantes receberam mudas clonais de cacau selecionadas por seu potencial para gerar amêndoas de alta qualidade. Ao todo, serão distribuídas cerca de 9 mil mudas, acompanhadas de assistência técnica especializada para implantação e manejo das lavouras.
Nos sistemas agroflorestais, o cacau é cultivado em conjunto com espécies agrícolas e florestais, promovendo benefícios ambientais e econômicos. O modelo favorece a conservação do solo, a retenção de água, o aumento da biodiversidade e a adaptação das propriedades rurais às mudanças climáticas.
Além disso, a integração de diferentes culturas possibilita fontes alternativas de renda durante o período de desenvolvimento dos cacaueiros.
Beneficiamento aumenta valor de mercado
Outra etapa importante da iniciativa é a instalação das estruturas destinadas à fermentação e secagem das amêndoas. Algumas unidades já estão em funcionamento, permitindo que as agricultoras aprimorem a qualidade do produto final e ampliem seu valor comercial.
Segundo a coordenadora do projeto, Juliana de Barros Valle, o acompanhamento técnico realizado nas propriedades busca adaptar as tecnologias às características de cada localidade.
Ela destaca que as unidades implantadas também funcionarão como espaços de demonstração para outros produtores da região, contribuindo para a disseminação de práticas sustentáveis de cultivo e pós-colheita.
Sonho de produzir chocolate próprio
Entre as beneficiadas está a agricultora Ediana Strasmann, de Colatina, que vê na iniciativa uma oportunidade para expandir os negócios da família.
Segundo ela, investir na produção de amêndoas especiais sempre foi um objetivo. A produtora já planeja, futuramente, fabricar o próprio chocolate artesanal, sonho compartilhado também pela filha de 14 anos, que passou a se interessar pela atividade.
Ediana destaca ainda que o sistema agroflorestal trouxe resultados positivos ao permitir o cultivo simultâneo de banana e aipim, gerando renda enquanto a lavoura de cacau se desenvolve.
A implantação de uma estufa para secagem das amêndoas também representou um avanço significativo. Antes, o processo era realizado de forma improvisada, utilizando lonas espalhadas no terreiro. Com a nova estrutura, a secagem pode ocorrer independentemente das condições climáticas, garantindo mais qualidade ao produto.
Capacitação e empoderamento feminino
Além da assistência técnica, o projeto oferece cursos e treinamentos sobre manejo das lavouras, colheita, pós-colheita, beneficiamento, comercialização, marketing e produção de derivados do cacau e fitoterápicos.
As ações reforçam o protagonismo feminino no meio rural e incentivam a geração de renda por meio do empreendedorismo agrícola.
Continuidade de uma iniciativa de sucesso
A atual fase do projeto dá sequência a um trabalho iniciado entre 2021 e 2023, quando associações de mulheres produtoras de cacau foram estruturadas em municípios capixabas por meio do programa Elas no Campo e na Pesca.
Na primeira etapa, participaram agricultoras de Linhares, Colatina, São Roque do Canaã, Santa Teresa e Rio Bananal. Agora, a iniciativa amplia o acesso das produtoras a tecnologias sustentáveis e novas oportunidades de mercado, fortalecendo a cadeia produtiva do cacau no Espírito Santo e promovendo mais autonomia para as mulheres do campo.
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