Uma operação integrada das forças de segurança interceptou R$ 200 mil que seriam usados para a compra de fuzis no Rio de Janeiro destinados ao tráfico de drogas no Espírito Santo. O dinheiro foi apreendido na BR-101, em Cariacica, na Grande Vitória, durante uma abordagem realizada pela Polícia Penal.
De acordo com as investigações, a ordem para a movimentação do dinheiro partiu de dentro de um presídio no interior do Estado do Rio de Janeiro. O responsável pelo plano seria Diego Augusto da Silva Andrade, de 31 anos, conhecido pelo apelido de Astro, integrante da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).
Segundo a Polícia Civil, o detento organizou o envio da quantia do Espírito Santo para a comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, onde seriam adquiridos fuzis. Depois da compra, as armas seriam levadas para o bairro Planalto Serrano, no município da Serra, região considerada estratégica para o tráfico de drogas no Estado capixaba.
O esquema acabou frustrado após a interceptação do veículo que transportava o dinheiro na altura do bairro Vila Capixaba. As informações foram divulgadas em coletiva de imprensa realizada pelas autoridades.
A delegada Gabriela Enne, do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), explicou que Diego liderava atividades da facção mesmo estando preso.
Ele está detido desde 2025, após ter fugido de uma unidade prisional no Espírito Santo em 2021, onde cumpria pena por tráfico de drogas e associação ao tráfico.
De acordo com a investigação, o valor apreendido poderia ser usado para comprar entre quatro e seis fuzis, dependendo do tipo de armamento e da negociação realizada entre os criminosos.
A descoberta do plano ocorreu durante a Operação Fim da Rota, deflagrada em ações simultâneas nos estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A operação tinha como alvo criminosos ligados ao TCP que atuam fora de comunidades dominadas por facções e que, muitas vezes, não possuem antecedentes criminais.
Esquema com carros batedores
As autoridades também identificaram que o transporte do dinheiro fazia parte de um esquema mais elaborado. Quatro veículos saíram do bairro Planalto Serrano com o objetivo de despistar possíveis abordagens policiais.
Segundo a delegada Gabriela Enne, alguns carros funcionariam como “batedores”, sendo parados primeiro pelas forças de segurança para dar passagem ao veículo que transportava o dinheiro.
Durante a operação, no entanto, os agentes conseguiram localizar a quantia no terceiro carro abordado. O quarto veículo também foi interceptado, mas nada de irregular foi encontrado.
Dinheiro escondido em bolsa infantil
Os R$ 200 mil estavam guardados dentro de uma bolsa infantil no porta-malas do carro. No veículo estavam um casal e um bebê acomodado em uma cadeirinha.
Inicialmente, o motorista afirmou aos policiais que estava viajando para o Rio de Janeiro a passeio. Em seguida, mudou a versão e declarou que o dinheiro seria usado para comprar uma casa na Região dos Lagos.
As autoridades continuam investigando o caso para identificar outros envolvidos no esquema e apurar possíveis conexões com o tráfico de armas e drogas na região.
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