Uma operação da Polícia Civil deflagrada nesta terça-feira (22) investiga um esquema suspeito de fornecer drogas para uma das principais facções criminosas do Rio de Janeiro. Batizada de Operação Icarus, a ação busca desarticular um grupo apontado como responsável pelo abastecimento de pontos de venda de cocaína e maconha.
A ofensiva cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes estados. Além da Polícia Civil do Rio de Janeiro, participam da operação agentes das polícias civis de São Paulo, Minas Gerais e Alagoas. No território fluminense, a ação também conta com o apoio das corregedorias das polícias Militar e Penal.
Até as 6h30 desta terça-feira, seis pessoas haviam sido presas. Entre os detidos está um homem apontado pelos investigadores como o principal articulador do esquema. Segundo a apuração policial, ele teria atuado na negociação das cargas de drogas, na organização do transporte, na realização de pagamentos e na movimentação dos recursos obtidos com a atividade criminosa.
As investigações apontam que o grupo funcionava a partir de uma estrutura organizada, com diferentes integrantes desempenhando funções específicas. Entre as tarefas identificadas estão a liderança do esquema, logística, transporte dos entorpecentes, cobrança e recolhimento de dinheiro, além da utilização de pessoas interpostas para dificultar a identificação dos responsáveis.
A investigação também relaciona o grupo a pelo menos duas grandes apreensões realizadas em 2024. Em Guarulhos, na Grande São Paulo, foram apreendidos 715 quilos de cocaína e maconha. Já em Seropédica, na região metropolitana do Rio, uma ação policial resultou na apreensão de 73,8 quilos de cocaína.
Segundo os investigadores, empresas ligadas aos setores de transporte e logística teriam sido utilizadas para dar suporte ao deslocamento das drogas entre São Paulo e o Rio de Janeiro. A suspeita é de que essas estruturas tenham ajudado a ocultar a atividade criminosa e facilitar o transporte das cargas.
Outro ponto identificado durante a investigação envolve a movimentação financeira dos suspeitos. Os policiais encontraram transações consideradas atípicas envolvendo investigados e empresas que, segundo a apuração, podem ter sido utilizadas para esconder ou dissimular a origem dos recursos.
De acordo com a Polícia Civil, as movimentações financeiras analisadas alcançaram aproximadamente R$ 70 milhões em um período considerado curto pelos investigadores. A operação busca reunir novos elementos para esclarecer a participação de cada suspeito, identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração sobre a estrutura financeira do esquema.
As investigações continuam e os mandados são cumpridos simultaneamente nos estados envolvidos na operação. O material apreendido durante as buscas deverá ser analisado pelos investigadores para identificar novas conexões e possíveis integrantes da organização investigada.
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