Pesquisadores do Instituto Rosalind Franklin, no Reino Unido, começaram a utilizar um microscópio de alta precisão para investigar os mecanismos envolvidos nas doenças inflamatórias intestinais, grupo de enfermidades crônicas que inclui a doença de Crohn e a colite ulcerativa.
Batizado de Curie, o equipamento foi desenvolvido para permitir uma observação muito mais detalhada das estruturas presentes nas células. Segundo informações divulgadas pelo jornal britânico The Guardian, a tecnologia consegue alcançar uma resolução cerca de dez vezes superior à de um microscópio convencional, permitindo identificar estruturas com aproximadamente 20 nanômetros.
O avanço é possível graças ao uso da técnica conhecida como STED, que utiliza dois feixes de laser para diferenciar estruturas extremamente próximas umas das outras. Dessa maneira, os pesquisadores conseguem produzir imagens mais precisas de componentes celulares que normalmente não podem ser observados com microscópios tradicionais.
Outro diferencial do Curie é a capacidade de reduzir distorções ópticas durante a observação. O sistema também permite manter as amostras em uma temperatura próxima à do organismo humano, condição importante para a realização de estudos com células vivas e suas estruturas internas.
A expectativa dos pesquisadores é utilizar o equipamento para compreender melhor como o intestino funciona em condições normais e o que muda quando surgem processos inflamatórios. A doença de Crohn e a colite ulcerativa ainda apresentam mecanismos complexos, e suas causas não são completamente conhecidas.
A pesquisadora Karina Pombo-García destacou que a nova tecnologia pode ampliar o conhecimento sobre essas enfermidades e contribuir para pesquisas futuras. Atualmente, existem diferentes opções de tratamento para as doenças inflamatórias intestinais, mas a resposta varia entre os pacientes e nem sempre os medicamentos conseguem controlar adequadamente o processo inflamatório.
O pesquisador Dimitrios Ioannidis explica que uma das linhas de investigação envolve a barreira formada pelas células do intestino. Essa estrutura exerce uma função importante na proteção do organismo e na separação entre o conteúdo intestinal e os tecidos internos.
Ao observar essas células com maior nível de detalhamento, os cientistas pretendem identificar possíveis alterações relacionadas ao desenvolvimento das doenças. A comparação entre tecidos saudáveis e aqueles afetados pela inflamação pode ajudar a esclarecer quais mudanças ocorrem primeiro e como elas interferem no funcionamento do intestino.
As doenças inflamatórias intestinais costumam ser diagnosticadas principalmente entre os 15 e os 40 anos, embora possam atingir pessoas de diferentes idades. No Reino Unido, mais de 500 mil pessoas convivem com essas condições, de acordo com a Sociedade Britânica de Gastroenterologia.
Além de buscar respostas sobre a origem das doenças, os pesquisadores esperam que o avanço na observação das células contribua, no futuro, para o desenvolvimento de estratégias de tratamento mais específicas. Por enquanto, o microscópio Curie será uma ferramenta de investigação científica para ampliar a compreensão dos processos que acontecem no intestino.
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