Dois irmãos, de 24 e 27 anos, desapareceram durante uma trilha no Pico da Bandeira, localizado na região do Caparaó, na divisa entre os estados do Espírito Santo e Minas Gerais. As buscas já ultrapassam 36 horas e mobilizam equipes especializadas em operações de resgate em áreas montanhosas.
O desaparecimento foi comunicado ao Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo na madrugada de segunda-feira (23), dando início à operação de busca. Militares de Minas Gerais também passaram a atuar na ocorrência pelo lado mineiro do Parque Nacional do Caparaó.
As condições climáticas na região, com chuva constante, ventos fortes e baixa visibilidade, têm dificultado o avanço das equipes no terceiro ponto mais alto do Brasil.
Desaparecimento durante subida ao pico
Segundo informações dos bombeiros, os irmãos faziam parte de um grupo formado por quatro familiares que viajaram até o parque em motocicletas, saindo do município de Aracruz, no Norte do Espírito Santo. Os veículos foram deixados na entrada da unidade de conservação, e o grupo seguiu até o acampamento Casa Queimada, último ponto antes da trilha principal de acesso ao cume.
Durante o percurso, dois integrantes decidiram interromper a subida devido ao cansaço. O irmão de 24 anos optou por continuar a trilha, sendo acompanhado pela irmã de 27 anos para que ele não prosseguisse sozinho. Desde então, ambos não foram mais vistos.
Informações preliminares apontam que o jovem reside em Aracruz e a irmã mora em Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro. Os nomes não foram oficialmente divulgados pelas autoridades.
Operação envolve bombeiros, servidores e voluntários
Cerca de 30 pessoas participam das buscas, entre militares do Corpo de Bombeiros, servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e voluntários locais com conhecimento da região.
Uma aeronave do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer) realizou sobrevoos iniciais em diferentes rotas de acesso ao pico. No entanto, o agravamento das condições meteorológicas obrigou a suspensão temporária do apoio aéreo e o retorno da equipe à base em Vitória.
As buscas passaram a priorizar trilhas não oficiais, conhecidas como trilhas clandestinas, consideradas áreas críticas devido ao histórico de pessoas perdidas no parque.
Primeiras ações e áreas percorridas
A equipe da 2ª Companhia do 3º Batalhão do Corpo de Bombeiros, sediada em Guaçuí, iniciou as primeiras varreduras mesmo sob chuva intensa e ventos fortes. Os militares concentraram esforços na identificação de rastros ou qualquer indício que pudesse indicar o trajeto seguido pelos desaparecidos.
As buscas abrangeram pontos estratégicos próximos à trilha principal, como a Pedra das Duas Irmãs, o Pico do Calçado e o Pico do Cristal. Até o momento, nenhum vestígio foi localizado nessas regiões.
Durante o período noturno, equipes percorreram o trajeto entre a Casa Queimada e o Pico da Bandeira pela rota oficial de acesso ao cume.
Coordenação integrada das buscas
Equipes do Espírito Santo e de Minas Gerais atuam de forma integrada, compartilhando informações para ampliar a área de cobertura. Foi instalado o Sistema de Comando de Operações (SCO) no acampamento Casa Queimada, responsável por planejar e coordenar todas as ações de busca.
Guias locais também auxiliam os trabalhos, conduzindo equipes por caminhos alternativos dentro do parque nacional.
Na manhã desta quarta-feira (24), uma nova equipe especializada foi enviada à região para reforçar a operação, que segue sem previsão de encerramento.
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