Uma horta escolar localizada em Vitória está se tornando um laboratório de inovação para a agricultura urbana. Coordenado pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o projeto utiliza tecnologias como cultivo vertical, irrigação controlada por aplicativo e sistema semi-hidropônico para avaliar alternativas de produção de alimentos em espaços reduzidos nas cidades.
A iniciativa é desenvolvida na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Aflordízio Carvalho da Silva e integra o Programa de Iniciação Científica Júnior do Espírito Santo – Pesquisador do Futuro (PibicJr 2026), promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) em parceria com a Secretaria da Educação (Sedu).
O projeto conta com a participação direta de cinco estudantes do terceiro ano do Ensino Médio integrado ao curso Técnico em Administração, além do apoio de um técnico agrícola e estudante de Agronomia, responsável pelo acompanhamento e manutenção das estruturas de cultivo.
Tecnologia aplicada ao ensino
De acordo com a pesquisadora do Incaper e coordenadora do projeto, Edileuza Galeano, a proposta combina pesquisa científica, inovação tecnológica e aprendizado prático.
Segundo ela, os estudantes acompanham todas as etapas da produção, incluindo custos, manejo e resultados obtidos, permitindo uma avaliação completa da viabilidade técnica e econômica do sistema.
A iniciativa busca disseminar conhecimentos sobre agricultura urbana e incentivar o uso de tecnologias sustentáveis para produção de hortaliças e legumes em ambientes urbanos.
Estrutura inteligente
Para viabilizar o funcionamento da horta tecnológica, foram realizados investimentos em instalações elétricas e hidráulicas. Entre os equipamentos utilizados estão interruptores inteligentes conectados à internet, que permitem o acionamento remoto da irrigação por meio de aplicativos, além de válvulas solenoides responsáveis pelo controle automatizado do fluxo de água.
O sistema também utiliza torres verticais de PVC para cultivo e estruturas semi-hidropônicas abastecidas com areia irrigada por água enriquecida com nutrientes.
Entre as culturas cultivadas estão alface, cebolinha, salsinha, pepino e morango.
Uma das vantagens do sistema semi-hidropônico é a capacidade da areia de reter umidade por mais tempo junto às raízes, reduzindo riscos em situações de interrupção da irrigação ou falta de energia elétrica.
Primeira colheita já apresenta resultados
Os resultados do projeto começaram a aparecer rapidamente. Apenas um mês após o plantio inicial das mudas, a equipe realizou a primeira colheita nesta semana.
Foram colhidos 96 pés de alface, além de temperos como cebolinha e salsinha, que serão distribuídos entre estudantes, professores e colaboradores da escola.
A proposta prevê novos plantios após cada colheita, garantindo a continuidade da produção e das atividades de pesquisa.
Aprendizado além da sala de aula
Mais do que produzir alimentos, a horta funciona como uma ferramenta pedagógica interdisciplinar. O espaço permite que os alunos apliquem na prática conhecimentos adquiridos em disciplinas como Matemática, Biologia, Ciências Ambientais e Gestão.
A expectativa dos coordenadores é que, após a conclusão da pesquisa, a estrutura permaneça ativa como ambiente de aprendizagem e demonstração de tecnologias voltadas à agricultura urbana sustentável.
O projeto reforça o potencial da inovação tecnológica para ampliar a produção de alimentos em áreas urbanas, estimular a educação científica e contribuir para práticas mais sustentáveis de cultivo nas cidades.
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