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Céu na Terra homenageia Jorge Ben Jor e reforça tradição do carnaval em Santa Teresa

Bloco histórico do Rio celebra a MPB enquanto moradores cobram mais organização diante do crescimento dos desfiles de rua.

redação Por redação
07/02/2026 - 14:07
em Cidade
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Bloco Céu na Terra presta tributo a Jorge Ben Jor no Carnaval 2026 e reacende debate sobre organização da festa em Santa Teresa.

Imagem:Tânia Rêgo/Agência Brasil

Poucos blocos do carnaval carioca construíram, ao longo de cerca de 25 anos, uma identidade tão afetiva e reconhecível quanto o Céu na Terra. Fundado no fim dos anos 1990 — período em que o carnaval de rua do Rio ainda retomava força — o grupo se consolidou como um dos símbolos da folia em Santa Teresa.

Marcado por ladeiras, arquitetura histórica e forte convivência comunitária, o bairro tornou-se parte essencial da identidade do bloco, que tradicionalmente homenageia grandes nomes da música brasileira.

Bloco Céu na Terra lota ruas do bairro de Santa Teresa, na região central do Rio. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Em 2026, o tributo é dedicado a Jorge Ben Jor, artista cuja obra atravessa gerações com swing e brasilidade. O desfile ocorreu na manhã deste sábado, com concentração às 7h no Largo dos Guimarães, e terá nova edição no Sábado de Carnaval (14), no mesmo horário.

“O Jorge Ben é muito querido, a música dele é cheia de energia e combina totalmente com o Céu na Terra”, afirmou Péricles Monteiro, um dos fundadores, em entrevista à Agência Brasil.

Nos últimos anos, o bloco reverenciou artistas como Milton Nascimento, Rita Lee e Pepeu Gomes, reforçando a conexão entre o carnaval de rua e a história da MPB.

Homenagem musical na avenida

A celebração a Jorge Ben Jor ganha forma em diferentes elementos do cortejo, incluindo um bonecão do cantor e uma arte exclusiva criada pelo DJ Zod.

Clássicos como Chove Chuva, Taj Mahal, Fio Maravilha e País Tropical já embalam os ensaios, ao lado de marchinhas, sambas, cirandas e afroxés que fazem parte da trajetória sonora do bloco.

Durante o percurso, paradas artísticas — chamadas de “estações” — serão dedicadas a músicas específicas, promovendo momentos de escuta coletiva e interação com o público.

“Quando a gente começou, era quase um ritual entre amigos. Nossa missão sempre foi levar alegria e fazer um contraponto às tensões do mundo. O carnaval é um espaço de encontro e cultura viva”, relembrou Monteiro.

Crescimento da festa traz desafios

A expansão do carnaval de rua ampliou o acesso à festa, mas também intensificou impactos em bairros residenciais como Santa Teresa, caracterizado por ruas estreitas e infraestrutura limitada.

Moradores relatam ocupação crescente por blocos não oficiais, muitos deles sem planejamento ou diálogo com a comunidade.

Entre os blocos tradicionais reconhecidos pela prefeitura estão Céu na Terra, Carmelitas, Badalo de Santa Teresa, Aconteceu, Mistura de Santa e Cheiro na Testa — agremiações que costumam realizar desfiles diurnos e trajetos compatíveis com a geografia local.

Segundo a Riotur, responsável pela organização dos blocos cadastrados, a prioridade é garantir segurança e equilíbrio entre a festa e a rotina do bairro. Em 2026, um novo bloco — o Bafo da Onça — foi autorizado, elevando para 14 o número de desfiles oficiais na região.

Moradores pedem mais ordenamento

Apesar das medidas, residentes organizaram um abaixo-assinado pedindo maior fiscalização durante o carnaval.

“Não somos contra os blocos, somos contra o abandono do poder público”, diz um trecho do documento que circula entre moradores e comerciantes.

Para a gestora cultural Ingrid Reis, o debate precisa ir além da lógica de permitir ou proibir.

“Existem blocos históricos, como o Céu na Terra, que construíram uma relação orgânica com o território. Eles pensam a festa como parte da cidade, não como invasão”, avaliou.

O presidente da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast), Orlando Lemos, afirma que o crescimento da folia não foi acompanhado por investimentos em infraestrutura.

“Santa Teresa virou destino, mas continua com as mesmas ruas, transporte precário e serviços limitados. Sem organização, quem paga a conta é quem mora aqui o ano inteiro.”

Falta de regras amplia conflitos

Para o pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Victor Belart, especialista em cultura urbana, o principal problema é regulatório.

“Quando não há definição clara de trajetos, controle de público e planejamento de serviços básicos, os impactos se multiplicam — lixo, barulho e dificuldades de acesso para moradores e emergências”, explicou.

Segundo ele, bairros históricos sentem esses efeitos com mais intensidade.

“Aplicar a mesma lógica de grandes blocos da Zona Sul ou do Centro é ignorar completamente o território. Sem regras, a festa perde legitimidade social.”

Entre tradição e desafios urbanos, o Céu na Terra segue como símbolo de um carnaval que busca preservar sua identidade cultural enquanto convive com as transformações de uma festa cada vez maior.

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Tags: #Carnaval2026#CarnavalDeRua#CeuNaTerra#CulturaBrasileira#JorgeBenJor#SantaTeresa
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