O ambiente de informação no mundo poderá enfrentar novos desafios em 2027, segundo uma pesquisa internacional realizada com especialistas de 71 países. O levantamento faz parte de um relatório do Painel Internacional sobre o Ambiente da Informação, divulgado nesta semana, e mostra um cenário de preocupação entre pesquisadores que acompanham a circulação de notícias e conteúdos digitais.
A pesquisa ouviu 470 especialistas entre maio e junho deste ano. Do total, 76% demonstraram pessimismo em relação à possibilidade de melhora do ambiente informacional no próximo ano. Para os pesquisadores, diferentes fatores vêm dificultando o acesso da população a informações confiáveis e diversificadas.
A falta de responsabilização das grandes plataformas digitais aparece como a principal preocupação. Esse fator foi apontado por 78% dos entrevistados. Na sequência estão a desinformação, citada por 73%, a polarização, mencionada por 69%, e a concentração do mercado nas mãos de algumas plataformas de redes sociais, indicada por 64% dos especialistas.
As chamadas bolhas de filtro ou câmaras de eco também aparecem entre os problemas apontados. Para 53% dos pesquisadores, esse mecanismo representa uma ameaça ao ambiente informacional porque pode fazer com que usuários sejam expostos principalmente a conteúdos alinhados às próprias opiniões, reduzindo o contato com perspectivas diferentes.
A expansão da inteligência artificial generativa é outro ponto de atenção. Quase metade dos especialistas, 47%, considera essa tecnologia uma possível ameaça à qualidade e à diversidade das informações disponíveis. Uma das preocupações está relacionada ao crescimento dos resumos produzidos por ferramentas de IA, que permitem encontrar respostas sem necessariamente acessar diretamente os sites que publicaram os conteúdos.
Na avaliação apresentada no relatório, essa mudança de comportamento pode reduzir o tráfego para veículos jornalísticos e, consequentemente, diminuir a variedade de fontes consultadas pelo público. Um levantamento do Pew Research Center realizado nos Estados Unidos mostrou que, no início de 2026, 60% dos adultos entrevistados disseram ler os resumos gerados por inteligência artificial que aparecem no topo dos resultados de pesquisas.
O estudo também chama atenção para as dificuldades enfrentadas pelos próprios pesquisadores. Segundo os dados apresentados, 60% dos especialistas relataram problemas para acessar informações consideradas importantes para seus trabalhos, principalmente devido a restrições sobre determinados dados.
Outro indicador que preocupa os pesquisadores é o aumento da pressão sobre estudos relacionados ao ambiente informacional. Entre 2025 e 2026, a parcela de especialistas que relataram pressão para alinhar pesquisas às agendas dos governos passou de 21% para 33%. No mesmo período, os relatos de censura governamental aumentaram de 11% para 23%.
Os resultados do levantamento mostram que os desafios para a circulação de informações não estão ligados a um único fator. Plataformas digitais, inteligência artificial, desinformação, polarização, restrições de acesso a dados e pressões sobre pesquisadores aparecem combinados em um cenário que, segundo a maioria dos especialistas ouvidos, exige atenção nos próximos anos.
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