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Pesquisa une conhecimento Panará e ciência para mapear biodiversidade na Amazônia

Inventário já identificou quase 15 mil indivíduos de 602 espécies na Terra Indígena Panará, em área de 500 mil hectares entre Pará e Mato Grosso.

redação Por redação
18/08/2026 - 17:15
em Brasil
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Pesquisa reúne saber indígena e ciência para catalogar a biodiversidade da Terra Indígena Panará, com quase 15 mil registros de espécies.

Imagem: André Villas Bôas/ISA/Agência Brasil

Uma parceria entre pesquisadores indígenas e instituições acadêmicas está ajudando a ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade da Terra Indígena Panará, na Amazônia. O trabalho já registrou quase 15 mil indivíduos de plantas, animais e insetos em uma área de aproximadamente 500 mil hectares localizada na divisa entre Pará e Mato Grosso.

A iniciativa é conduzida pela Conservação Internacional Brasil, em parceria com a Rede Xingu+, a Associação Indígena Iakiô, universidades públicas e outras organizações da sociedade civil. O projeto busca produzir um inventário das espécies encontradas no território e contribuir para estratégias de proteção da biodiversidade em uma região pressionada pelo garimpo ilegal e outras atividades irregulares.

Durante as expedições, pesquisadores indígenas e não indígenas percorrem trilhas da Terra Indígena para registrar espécies, coletar imagens e amostras e analisar a qualidade da água do Rio Rriri, afluente do Rio Xingu que atravessa o território Panará.

O trabalho combina ferramentas científicas e tecnológicas com o conhecimento tradicional dos povos indígenas sobre a floresta. Para os participantes, a integração das duas formas de conhecimento permite obter informações que dificilmente seriam alcançadas por apenas uma das abordagens.

O pesquisador indígena Kiarysy Kaiabi Panará, conhecido como Cutia, destacou a troca de experiências durante as atividades de campo. Segundo ele, a convivência entre os pesquisadores possibilitou que conhecimentos fossem compartilhados entre os integrantes da equipe.

Os pesquisadores indígenas receberam treinamento para utilizar equipamentos e ferramentas empregados na coleta de informações. Entre os recursos estão aparelhos de GPS, aplicativos de catalogação e câmeras de monitoramento acionadas por movimento ou pelo calor dos animais.

As chamadas câmeras trap foram importantes para registrar animais de difícil observação durante as expedições. Equipamentos instalados na floresta permitiram identificar espécies que nem sempre eram encontradas diretamente pelas equipes.

A pesquisadora Pentê Panará participou do trabalho após ser escolhida pelos moradores da aldeia Panará Sõnkârãsãn, onde vive. Ela destacou que a experiência possibilitou conhecer novas ferramentas e ampliar o contato com diferentes etapas da pesquisa científica.

A participação também despertou interesse de outras mulheres da comunidade. Pentê relatou que, ao retornar das atividades de campo, era questionada pelas demais mulheres sobre o funcionamento das tecnologias e sobre o trabalho realizado durante as expedições.

Para ela, a experiência demonstra a importância de ampliar a participação feminina em pesquisas realizadas dentro do território indígena.

Até o momento, o inventário contabilizou 602 espécies entre plantas, animais e insetos. Desse total, 27 estão classificadas como criticamente ameaçadas de extinção.

O levantamento também pode levar à identificação de uma árvore que ainda está sendo analisada pela ciência. Conhecida pelos Panará como Já, a espécie foi registrada durante uma das expedições, quando pesquisadores coletaram imagens e amostras do exemplar.

A possível novidade científica ainda não foi confirmada. De acordo com a equipe responsável pelo projeto, será necessário realizar novas coletas, especialmente durante o período de floração da árvore, para permitir uma análise botânica mais completa.

O caso evidencia a importância do conhecimento indígena para a pesquisa da biodiversidade. Embora a árvore já seja conhecida pelo povo Panará, sua identificação científica ainda está em processo de investigação.

As atividades de campo foram temporariamente interrompidas devido à falta de recursos para a realização de novas expedições. A expectativa dos pesquisadores é retomar o trabalho para concluir o inventário e ampliar a quantidade de espécies registradas.

A pesquisadora Pentê Panará avalia que o território ainda guarda uma grande quantidade de informações sobre sua fauna e flora. Durante as caminhadas pela floresta, a equipe continua encontrando rastros e sinais de animais que ainda podem não ter sido registrados no levantamento.

Quando o inventário for concluído, os dados deverão passar por análise dos pesquisadores indígenas antes de serem disponibilizados no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr).

A plataforma reúne informações sobre ocorrência de espécies, coleções biológicas e diferentes conjuntos de dados científicos produzidos no país.

Uma das preocupações do projeto é garantir que os pesquisadores Panará sejam reconhecidos como detentores e autores dos conhecimentos relacionados ao território. A proposta é estabelecer mecanismos para que a participação indígena fique registrada junto aos dados disponibilizados na plataforma.

Isso também deverá permitir que os pesquisadores indígenas sejam consultados quando outras instituições tiverem interesse em utilizar as informações produzidas durante o inventário.

Outro protocolo foi criado para orientar a publicação de trabalhos acadêmicos desenvolvidos a partir dos dados coletados na Terra Indígena. Antes da divulgação de pesquisas, os pesquisadores não indígenas apresentam aos Panará, por meio de vídeos ou áudios, quais informações serão utilizadas, quais são os objetivos do trabalho e quais aspectos serão abordados.

A comunidade e os pesquisadores indígenas podem então analisar o conteúdo e apresentar suas contribuições antes da autorização da publicação.

O procedimento busca respeitar as formas tradicionais de transmissão de conhecimento dos povos indígenas e garantir que a produção científica realizada a partir das pesquisas desenvolvidas no território também considere a participação e a perspectiva da comunidade Panará.

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Tags: #Amazônia#Biodiversidade#ConhecimentoIndígena#fauna#Flora#MeioAmbiente#PesquisaCientífica#PovosIndígenas#RioXingu#TerraIndígenaPanaráconservação
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