Uma pesquisa inédita sobre a composição das lideranças do serviço público federal revelou que a diversidade avançou nos últimos anos, mas a presença de mulheres e pessoas negras ainda é limitada nos cargos mais altos da administração pública brasileira.
Divulgado pelo Ipea em parceria com o Movimento Pessoas à Frente e a Fundação Lemann, o levantamento analisou dados de 1999 a 2025 e constatou que três em cada quatro cargos de direção foram ocupados por homens. Pessoas brancas representaram 78% dos dirigentes, enquanto pretos e pardos responderam por cerca de 17% das posições de liderança.
Os pesquisadores observam que a participação feminina cresceu de forma consistente ao longo dos anos, alcançando atualmente quase 40% dos cargos de direção. A evolução foi mais acelerada nos últimos anos, impulsionada por iniciativas voltadas à promoção da igualdade e diversidade.
O estudo também mostra que o perfil da alta liderança federal é marcado pela experiência acumulada dentro do próprio Estado. A maioria dos dirigentes é formada por servidores concursados com trajetória consolidada no setor público, contrariando a percepção de que os cargos são ocupados predominantemente por indicações políticas.
Entre os ocupantes das funções mais estratégicas, a maior parte possui ensino superior completo e ampla experiência em cargos de chefia. A ascensão costuma ocorrer de forma gradual, após anos de atuação em diferentes posições da administração pública.
Outro dado relevante é a mobilidade dos gestores. Embora muitos permaneçam pouco tempo em um cargo específico, eles continuam ocupando funções de liderança em outros órgãos, formando uma rede de profissionais experientes que circulam pela estrutura estatal.
Os pesquisadores destacam que essa dinâmica contribui para a preservação da memória institucional e para a profissionalização da gestão pública. Ainda assim, defendem a ampliação de políticas que promovam maior diversidade nos espaços de poder e decisão.
A pesquisa integra um debate mais amplo sobre liderança, inovação e fortalecimento das capacidades estatais, temas considerados fundamentais para a modernização da administração pública brasileira.
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