O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou, na última terça-feira (4), em entrevista a jornalistas estrangeiros na Base Naval de Val de Cães, em Belém (PA), que o Governo Federal tem atuado de forma integrada com os estados para fortalecer o combate ao crime organizado no país. Lula destacou investimentos em segurança pública na capital paraense, nas regiões de fronteira e em diversas partes do Brasil, ressaltando o papel essencial da inteligência policial.
“Precisamos investir na área de inteligência da polícia para combater o crime”, afirmou o presidente. Ele citou como exemplo recente a descoberta, pela Polícia Federal, de uma fábrica clandestina que produzia mais de 3 mil rifles em São Paulo e Minas Gerais, desarticulada em uma operação que abastecia o tráfico no Rio de Janeiro.
Segundo Lula, as ações do governo já resultaram em prisões e desarticulação de organizações criminosas. “Já fizemos muita coisa nesse pouco tempo de governo. Mas a polícia precisa ter os incentivos necessários para avançar ainda mais”, completou.
Segurança para a COP30
O presidente também destacou as medidas de segurança adotadas para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém em novembro. O evento reunirá mais de 140 delegações estrangeiras e cerca de 50 chefes de Estado.
Entre as iniciativas, Lula citou a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia), inaugurado em Manaus, com participação de policiais federais e representantes de nove países da América do Sul. O centro atua no combate ao narcotráfico e ao crime organizado nas fronteiras, funcionando como ponto de intercâmbio de informações e coordenação entre forças de segurança nacionais e internacionais.
O presidente também lembrou que, a pedido do governador Helder Barbalho, foi autorizada a operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Pará entre 2 e 23 de novembro, com o apoio das Forças Armadas. As ações contemplam Belém, Altamira e Tucuruí, visando proteger infraestruturas críticas como usinas hidrelétricas, portos e aeroportos durante os eventos da COP30.
“As Forças Armadas vão atuar de forma integrada com as polícias federais e estaduais para garantir a segurança das delegações e a tranquilidade da população local”, afirmou Lula.
PEC da Segurança Pública e leis antifacção
Durante a coletiva, Lula voltou a defender a PEC da Segurança Pública, proposta enviada ao Congresso Nacional para promover a integração entre os níveis federal, estadual e municipal da segurança pública, com financiamento estável e padronização de dados.
“Queremos saber como a União pode participar do combate ao crime organizado sem interferir na autonomia dos estados. Essa PEC vai permitir que atuemos juntos de forma mais eficiente”, explicou o presidente.
Ele também mencionou o Projeto de Lei Antifacção Criminosa, que endurece punições contra organizações criminosas e cria um banco nacional de dados sobre facções. “Estamos trabalhando de forma firme para que a sociedade viva em paz e com tranquilidade”, afirmou.
Integração regional e diálogo internacional
Questionado sobre tensões recentes entre países da América do Sul e os Estados Unidos, Lula defendeu o diálogo como caminho para a manutenção da paz. O presidente destacou que a reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia, na Colômbia, será uma oportunidade para debater o tema.
“A América Latina é uma zona de paz. Não precisamos de guerra aqui. Os problemas devem ser resolvidos politicamente”, ressaltou. Lula também lembrou a criação, em 2003, do Grupo de Amigos da Venezuela, iniciativa diplomática que buscou promover o diálogo e evitar o isolamento do país.
Com a COP30 se aproximando, o presidente destacou que o Brasil quer ser exemplo de segurança, integração e diplomacia. “O que queremos é um país preparado, seguro e comprometido com a paz, dentro e fora das nossas fronteiras”, concluiu.
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