Os líderes do Brics participaram de uma reunião virtual nesta segunda-feira (8), a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para discutir os desafios atuais da economia global, o fortalecimento do comércio entre os países do bloco e a busca por soluções pacíficas em conflitos internacionais.
Durante cerca de 1h30 de encontro, Lula afirmou que práticas comerciais injustificadas e ilegais, como a chamada “chantagem tarifária”, vêm sendo usadas como instrumentos de pressão política e econômica. Para o presidente, cabe ao Brics demonstrar que a cooperação internacional é capaz de superar rivalidades e promover um comércio mais justo.
Defesa do multilateralismo
Segundo Lula, o avanço de medidas unilaterais e sanções extraterritoriais ameaça a soberania dos países. O presidente destacou que, juntos, os integrantes do Brics representam 40% do PIB global, 26% do comércio internacional e quase metade da população mundial, legitimando o bloco a liderar uma reforma do sistema multilateral de comércio em bases modernas e inclusivas.
“Nosso comércio e integração financeira oferecem uma opção segura para mitigar os efeitos do protecionismo. Temos complementaridades econômicas que precisam ser fortalecidas”, declarou Lula.
Paz e soberania
O chefe de Estado também ressaltou a necessidade de preservar a soberania nacional e de combater ingerências externas. Em relação à guerra na Ucrânia, Lula defendeu a construção de uma solução realista que respeite as preocupações de segurança de todas as partes.
Sobre o conflito na Faixa de Gaza, ele pediu o fim imediato das ações militares e classificou a situação como um genocídio em curso contra o povo palestino.
Nota do Planalto
Em comunicado, o Palácio do Planalto informou que os países do Brics reafirmaram seu compromisso com a defesa do multilateralismo e a reforma das instituições internacionais, destacando a necessidade de uma ordem mundial mais justa, equilibrada e inclusiva.
A nota também destacou a preocupação com os riscos do unilateralismo no comércio internacional e a disposição dos países em ampliar a solidariedade, coordenação e integração econômica dentro do bloco.
Participantes
Além de Lula, participaram da cúpula virtual os líderes de China, Rússia, Egito, Indonésia, Irã e África do Sul, além do príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos, o chanceler da Índia e o vice-ministro das Relações Exteriores da Etiópia.
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