Brasília recebe, entre os dias 21 e 23 de julho, um encontro nacional que reúne lideranças indígenas, pesquisadores e organizações da sociedade civil para fortalecer o pedido de criação da Comissão Nacional da Verdade Indígena (CNIV). A iniciativa pretende ampliar o reconhecimento das violações de direitos humanos cometidas contra os povos originários durante a ditadura militar.
A mobilização é promovida pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), pelo Instituto de Políticas Relacionais (IPR) e pelo Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas da Universidade de Brasília (Obind/UnB).
Durante o evento, representantes do Fórum Memória, Verdade, Reparação Integral, Não Repetição e Justiça para os Povos Indígenas apresentam relatos e documentos que registram perseguições, prisões ilegais, torturas, deslocamentos forçados e outras violações praticadas contra comunidades indígenas ao longo do regime militar.
Os organizadores lembram que, no fim do ano passado, foi encaminhada ao governo federal uma proposta de decreto para instituir a Comissão Nacional da Verdade Indígena. O texto recebeu apoio formal de 58 instituições e pareceres técnicos favoráveis.
Além dos debates, o encontro promove a divulgação de oito estudos inéditos sobre os impactos da ditadura sobre diferentes povos indígenas. Os relatórios reúnem documentos históricos, pesquisas e depoimentos de vítimas e familiares.
A programação inclui ainda o lançamento do livro Povos Indígenas e Justiça de Transição: Registros de Memórias que Denunciam Violências, obra que reúne investigações sobre crimes como tortura, genocídio e remoções forçadas. Segundo os organizadores, o material representa um importante registro para a preservação da memória e para o avanço das políticas de reparação.
As atividades seguem até quinta-feira (23), na Casa de Retiro Assunção, na capital federal, reforçando a mobilização por justiça, memória e garantia de direitos para os povos indígenas brasileiros.
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