O governo federal vai criar um comitê em parceria com a sociedade civil para coordenar ações de enfrentamento à crise das bebidas contaminadas por metanol. O grupo vai atuar tanto na repressão à adulteração de produtos quanto na proteção das empresas regulares do setor de bebidas, considerado estratégico para a economia brasileira.
O anúncio foi feito nesta terça-feira (7) pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, após reunião com autoridades e representantes do setor no ministério.
“Chegamos à conclusão de que seria importante montar um comitê de enfrentamento da crise do metanol. Será um comitê informal para troca de informações sobre boas práticas e providências adotadas pelos setores público e privado”, explicou Lewandowski.
Segundo o ministro, o objetivo é integrar o governo, a iniciativa privada e a sociedade civil para encontrar soluções rápidas e coordenadas.
Crise econômica e combate à adulteração
Lewandowski classificou o problema como também uma crise econômica, já que o setor de bebidas gera empregos, arrecada impostos e impulsiona o desenvolvimento.
“Precisamos separar com clareza aqueles que trabalham dentro da lei dos que cometem irregularidades. Vamos punir quem adultera bebidas e preservar quem atua legalmente”, afirmou o ministro.
De acordo com ele, as medidas incluem advertências, sanções pecuniárias e até fechamento de estabelecimentos que vendem produtos contaminados.
A reunião contou com representantes da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Fórum Nacional contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP) e Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF).
Fiscalização e inteligência
O secretário nacional do Consumidor, Paulo Pereira, informou que dezenas de estabelecimentos já foram notificados para apresentar informações sobre a origem das bebidas e os fornecedores.
“Tínhamos 15 estabelecimentos identificados e notificados. Hoje, esse número dobrou, e cerca de 25 distribuidoras, associações e entidades do setor também estão sendo notificadas”, afirmou.
Segundo o secretário, o trabalho agora é de inteligência, com cruzamento de dados para identificar padrões e possíveis fornecedores criminosos.
“Ninguém melhor que os distribuidores e as associações para nos ajudar a identificar quais são os fornecedores legalizados e quais são os ilegais”, acrescentou Pereira.
Ele informou ainda que o ministério mantém contato com centros de pesquisa para validar testes rápidos que possam ajudar a garantir a qualidade das bebidas vendidas no país.
Investigação e possíveis organizações criminosas
Questionado sobre o possível envolvimento de organizações criminosas, Lewandowski afirmou que todas as hipóteses estão sendo investigadas, mas que ainda é cedo para conclusões.
Algumas suspeitas surgiram após caminhões de combustíveis abandonados serem encontrados em diferentes regiões. Segundo o ministro, as linhas de investigação consideram inclusive a origem do metanol usado nas bebidas — se vegetal ou fóssil.
Risco à saúde
A intoxicação por metanol é considerada emergência médica grave. A substância, quando ingerida, é transformada no organismo em compostos tóxicos, como formaldeído e ácido fórmico, que podem causar cegueira ou morte.
Os sintomas incluem:
- visão turva ou perda de visão;
- náuseas, vômitos e dores abdominais;
- mal-estar geral e sudorese.
Em caso de suspeita de intoxicação, é fundamental buscar atendimento médico imediato e contatar os serviços de emergência.
- Disque-Intoxicação da Anvisa: 0800 722 6001
- CIATox local (centros de toxicologia estaduais)
- Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800 771 3733
A orientação também vale para pessoas que consumiram a mesma bebida das vítimas, mesmo que ainda não apresentem sintomas.
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