A capital baiana sediou, nos últimos dias 26 e 27 de maio, o I Encontro da Estratégia Intersetorial para a Redução de Perdas e Desperdício de Alimentos no Brasil e o IV Encontro Nacional de Bancos de Alimentos. A iniciativa, promovida pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), contou com apoio do Sesc, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
O encontro teve como foco principal fortalecer políticas públicas voltadas à segurança alimentar e incentivar práticas sustentáveis para reduzir perdas e desperdícios de alimentos em todo o país. Durante os debates, especialistas, gestores públicos, representantes de organizações sociais e instituições internacionais compartilharam experiências e estratégias para ampliar o acesso à alimentação e estimular sistemas alimentares mais sustentáveis e inclusivos.
A secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Lilian Rahal, ressaltou a importância dos bancos de alimentos como ferramentas estratégicas para enfrentar o desperdício e apoiar comunidades em situação de vulnerabilidade social.
Segundo ela, esses espaços desempenham papel fundamental não apenas na redistribuição de alimentos, mas também no fortalecimento da economia circular e no incentivo ao aproveitamento adequado dos produtos que deixariam de ser consumidos.
O representante da FAO no Brasil, Jorge Meza, destacou que a redução das perdas e desperdícios de alimentos também contribui diretamente para a preservação de recursos naturais, como água, energia e solo. Ele ainda defendeu o avanço de legislações que estimulem a doação de alimentos e fortaleçam os bancos alimentares no país.
Meza afirmou que o Brasil possui potencial para liderar internacionalmente essa agenda, por ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo, além de contar com iniciativas capazes de gerar impactos sociais e ambientais positivos.
Representando o programa Bahia Sem Fome, o coordenador-geral Tiago Pereira explicou que o estado vem ampliando ações de segurança alimentar por meio da integração entre governo, iniciativa privada e sociedade civil. De acordo com ele, o processo de interiorização das políticas públicas já alcança cerca de 230 municípios baianos.
O pesquisador da Embrapa Alimentos e Territórios, Gustavo Porpino, avaliou o encontro como uma oportunidade importante para fortalecer parcerias entre governos locais, centrais de abastecimento e instituições ligadas à sustentabilidade alimentar urbana.
Entre os projetos apresentados durante o evento esteve o Banco de Alimentos da Ceasa Minas (Prodal). O gestor da iniciativa, Fábio Garrido, informou que a parceria com o MDS e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), dentro do Programa Cozinhas Solidárias, ampliou a distribuição de alimentos destinados a entidades sociais.
Além dos hortifrutigranjeiros oriundos do excedente comercializado na Ceasa, o projeto passou a receber produtos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), como feijão e fubá, fortalecendo o atendimento às cozinhas solidárias e projetos sociais voltados ao público infantil e à terceira idade.
A programação contou com mesas-redondas, painéis temáticos e troca de experiências entre representantes brasileiros e internacionais. O objetivo foi promover articulação entre diferentes setores para desenvolver soluções mais eficientes no combate ao desperdício e no fortalecimento da segurança alimentar no Brasil.
Para a diretora de Programas Sociais do Sesc Bahia, Eliomara Neves, o encontro representou um espaço relevante de diálogo e construção coletiva de soluções para um desafio que exige comprometimento contínuo da sociedade.
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