O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (11) que os relatórios de inteligência produzidos pela corporação e enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) foram feitos de forma regular. Em manifestação ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, ele negou que os documentos tenham resultado de monitoramento ilegal de autoridades.
Segundo Rodrigues, a PF apenas cumpriu uma determinação judicial do ministro Alexandre de Moraes. O diretor-geral também pediu que seu afastamento seja rejeitado e afirmou que não houve vigilância clandestina, coleta irregular de dados ou qualquer medida invasiva contra ministros do STF ou contra o advogado-geral da União.
A crise começou quando o ministro André Mendonça, relator de processos ligados ao caso Banco Master, determinou o afastamento preventivo de Rodrigues do comando da PF. O diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, também foi afastado. Mendonça apontou possíveis irregularidades na elaboração dos relatórios e suspeita de monitoramento ilegal.
No dia seguinte, os dois foram reconduzidos aos cargos após decisão de Edson Fachin, tomada a partir de um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU). Agora, Fachin deverá analisar a manifestação apresentada por Rodrigues e decidir se ele permanecerá definitivamente no comando da Polícia Federal.
Em sua defesa, Rodrigues também rejeitou a acusação de que os relatórios seriam apócrifos. Ele afirmou que os documentos têm autoria institucional, foram registrados nos sistemas da PF e seguem normas destinadas a proteger a identidade dos profissionais de inteligência. Para o diretor-geral, os relatórios também foram produzidos por ordem judicial, sem desvio de função ou iniciativa ilícita da corporação.
Rodrigues ainda questionou a legitimidade do Partido Novo para pedir diretamente à Justiça seu afastamento. Segundo ele, a legenda poderia comunicar uma possível infração às autoridades, mas não teria legitimidade para solicitar uma medida cautelar contra uma pessoa específica. A AGU também defendeu a permanência do diretor-geral no cargo e argumentou que seu afastamento interfere nas atribuições constitucionais do presidente da República.
A disputa entre os ministros ganhou força depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF com mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. As conversas citavam Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Moraes nega as acusações e, posteriormente, pediu investigação contra Mendonça com base em outro relatório da PF, que apontava possíveis condutas, ainda de forma inconclusiva.
A sequência de decisões provocou tensão dentro da Polícia Federal e envolveu também o ministro Flávio Dino, que havia determinado a reintegração de Rodrigues e Almada. Dino apontou que a interrupção dos relatórios poderia prejudicar investigações sob sua responsabilidade, incluindo uma apuração relacionada ao caso Dark Horse. A decisão de Dino acabou suspensa por Fachin, que manteve Rodrigues e Almada nos cargos. Agora, o presidente do STF deverá avaliar a defesa do diretor-geral e definir os próximos passos sobre o comando da PF.
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