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Dia da Consciência Negra expõe legado de racismo estrutural e impacto da violência policial no Brasil

Especialistas afirmam que 20 de novembro é marco de memória, denúncia e reflexão sobre desigualdades históricas e operações que atingem majoritariamente a população negra.

redação Por redação
20/11/2025 - 11:12
em Brasil
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No Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, especialistas alertam que a violência policial, como a Operação Contenção no Rio, evidencia a permanência do racismo estrutural no país.

Imagem:Joédson Alves/Agência Brasil

Vinte de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, ganha em 2024 a sua segunda comemoração como feriado nacional. Cento e trinta e sete anos após a abolição da escravatura, o país ainda reflete os efeitos da colonização e da escravidão sobre a população negra brasileira. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil defendem que a data, mais do que simbólica, deve ser um convite à consciência histórica e ao debate profundo sobre desigualdade, violência e racismo estrutural.

A discussão se torna ainda mais urgente diante de episódios recentes, como a Operação Contenção, realizada em 28 de outubro nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos, incluindo dois policiais militares e dois civis. Segundo levantamentos iniciais, nenhuma das 117 pessoas mortas pelas forças policiais havia sido denunciada pelo Ministério Público estadual. A ação já é considerada a maior chacina da história do Brasil.

A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro criou um observatório para acompanhar o cumprimento da lei durante a operação. Mesmo após a megaoperação, o principal alvo — Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho — continua em liberdade.

Dados de 2023 do Ibase, Instituto Raízes e ONG Educap mostram que 79% dos moradores do Complexo do Alemão são negros.

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Para Mônica Sacramento, pedagoga e coordenadora da ONG Criola, o 20 de novembro deve ser entendido como um marco político.
“É uma data de extrema importância, porque todos os temas que atingem a população negra, de forma tão profunda e avassaladora, precisam ser debatidos. É dia de análise, de enfrentamento e de reafirmação da resistência”, afirma.

Colonialismo como origem da violência atual

O economista Daniel Cerqueira, coordenador do Atlas da Violência (Ipea), afirma que as operações policiais nas favelas revelam a permanência de uma lógica herdada do período colonial.
“Antes mesmo de existir o Estado brasileiro, o território era voltado para a exploração econômica, sempre sustentado pelo uso sistemático da violência”, explica.

Cerqueira destaca que ações de grande letalidade seriam “inimagináveis” em bairros como Leblon, Ipanema ou Copacabana.

“Só é possível imaginar guerra às drogas nesses lugares onde vivem negros e pobres.”

Segundo o Atlas da Violência, uma pessoa negra tem quase três vezes mais chance de ser assassinada no Brasil do que uma pessoa branca.

Violência como ponta do iceberg

Para a advogada e pesquisadora Raquel Guerra, da UERJ, a violência atual é resultado direto de séculos de exploração sem reparação.

“A escravidão durou mais de 300 anos e afetou mais de 20 gerações. Após a abolição, não houve garantia de direitos básicos — terra, educação, emprego, moradia. A presença do Estado para a população negra sempre foi marcada pela ausência de direitos.”

Ela afirma que operações como a Contenção podem novamente levar o Brasil à condenação na Corte Interamericana de Direitos Humanos, repetindo precedentes envolvendo chacinas anteriores e violações em comunidades quilombolas.

Letalidade como política pública

A promotora de Justiça Lívia Sant’Anna, do Ministério Público da Bahia, reforça que o 20 de novembro é um marco de memória, denúncia e enfrentamento.
“Nas favelas, a presença do Estado se materializa quase sempre pela repressão. O que vemos é uma política de segurança que naturaliza a letalidade como método.”

Ela destaca que operações como essa interrompem serviços básicos, fecham escolas e ampliam desigualdades.

A violência que ameaça o futuro

A professora Juliana Kaizer, da UFRJ e PUC-Rio, alerta para os efeitos de longo prazo sobre crianças e adolescentes.
“Quando estudantes saem da rotina escolar por conta de confrontos armados, muitos não retornam. Isso nos condena a sucessivas gerações de excluídos do mercado formal e da cidadania.”

Disparidade territorial

Levantamento do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (UFF) mostra que entre 2017 e 2023:

  • Mais de 70% das áreas dominadas por facção tiveram confrontos com a polícia.
  • Nas regiões controladas por milícias, esse índice cai para 31,6%.
  • 40,2% dos tiroteios em ações policiais ocorreram em áreas de tráfico, contra apenas 4,3% em regiões dominadas por milicianos.

Reflexão coletiva

Para os especialistas, o 20 de novembro reforça a urgência de políticas que superem a lógica da guerra.
Um país que celebra o Dia da Consciência Negra enquanto registra sua maior chacina precisa, dizem eles, olhar com rigor para o passado e assumir responsabilidade pelo futuro.

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Tags: #AtlasDaViolência#Desigualdade#DiaDaConsciênciaNegra#DireitosHumanos#Favela#RacismoEstrutural#ViolênciaPolicial#ZumbiDosPalmaresBrasilRJ
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