A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro encaminhou na última sexta-feira (16) ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para investigar o vazamento de conversas privadas relacionadas às apurações do caso Master. A petição foi endereçada ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
No documento, os advogados afirmam que o ex-banqueiro está sendo submetido a um “processo de linchamento público” em razão da divulgação de mensagens e informações sobre sua vida pessoal. A defesa também questiona a exposição de conversas mantidas com advogados e outros conteúdos que, segundo os representantes, integram o material relacionado às investigações.
Os advogados sustentam que as mensagens vêm sendo divulgadas sem confirmação pública de sua autenticidade, veracidade ou das circunstâncias em que foram obtidas. Na avaliação da defesa, a exposição da intimidade do investigado ultrapassa os limites necessários à apuração dos fatos e prejudica sua privacidade.
A petição argumenta ainda que a divulgação das conversas deve motivar uma investigação específica para identificar os responsáveis pelo vazamento. Para os representantes de Vorcaro, eventuais irregularidades na obtenção ou divulgação do material precisam ser apuradas pelas autoridades competentes, com possibilidade de responsabilização caso sejam constatadas condutas criminosas.
A defesa também contesta o uso das conversas divulgadas como fundamento para novas investigações contra o ex-banqueiro. Os advogados defendem que a repercussão jurídica da exposição deve se concentrar na identificação de quem tornou públicas as informações, e não na ampliação das apurações a partir de conteúdos vazados.
Vorcaro foi preso em março de 2026 e está custodiado no presídio da Papudinha, no Distrito Federal. Ele é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
As investigações também envolvem a tentativa de aquisição da instituição financeira pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal. O caso apura possíveis irregularidades nas operações e nas negociações relacionadas ao banco.
O pedido apresentado ao STF busca a abertura de uma investigação sobre a divulgação das conversas privadas. A solicitação da defesa, por si só, não comprova a ocorrência de crime no vazamento nem determina eventual responsabilidade dos envolvidos, questões que dependem de apuração pelas autoridades competentes.
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