O crédito rural empresarial apresentou crescimento nos primeiros oito meses do Plano Safra 2025/2026. Entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, os financiamentos contratados somaram R$ 354,4 bilhões, um aumento de 7% em comparação aos R$ 330,8 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior.
Os dados fazem parte do Boletim de Crédito Rural, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central.
Considerando apenas os recursos efetivamente liberados na conta dos produtores, o volume chegou a R$ 342,9 bilhões, crescimento de 4% na comparação anual.
O desempenho positivo foi impulsionado principalmente pela expansão das Cédulas de Produto Rural (CPR) e pelo avanço do crédito voltado à industrialização, que compensaram a retração observada nas linhas tradicionais de custeio e investimento.
CPR e industrialização puxam crescimento
O principal destaque do período foi o forte crescimento das Cédulas de Produto Rural (CPR), instrumento financeiro emitido por produtores rurais em favor de instituições financeiras.
As contratações via CPR totalizaram R$ 163,4 bilhões, representando um aumento de 39% em relação à safra anterior.
Como grande parte desses recursos é destinada ao custeio da produção, ao somar CPR e custeio tradicional o volume total voltado a essa finalidade chegou a R$ 269,8 bilhões, crescimento de 12% na comparação anual.
Outro segmento com desempenho expressivo foi o de industrialização, que registrou a maior expansão proporcional entre as finalidades do crédito rural.
As contratações nessa área atingiram R$ 22,2 bilhões, alta de 56%, enquanto as concessões efetivas somaram R$ 21,5 bilhões, avanço de 51%.
Linhas tradicionais registram queda
Apesar do crescimento geral, as linhas tradicionais de financiamento rural apresentaram retração.
O crédito de custeio contratado caiu 13%, totalizando R$ 106,4 bilhões, enquanto os recursos efetivamente concedidos recuaram 16%, chegando a R$ 103,4 bilhões.
No caso dos investimentos, a queda foi ainda mais acentuada:
- contratações: R$ 39,5 bilhões (queda de 20%)
- concessões: R$ 33 bilhões (queda de 33%)
A comercialização também apresentou redução, com R$ 22,9 bilhões contratados (queda de 15%) e R$ 21,8 bilhões concedidos (queda de 19%).
Segundo a Secretaria de Política Agrícola do Mapa, a retração dos investimentos reflete a cautela do setor diante das atuais taxas de juros, mesmo com a expectativa de redução da taxa Selic em cerca de dois pontos percentuais até o fim de 2026.
Programas de investimento têm recuo
Entre os programas de investimento do Plano Safra, vários registraram queda em relação ao ciclo anterior.
O Moderfrota teve a maior retração, de 49%, passando de R$ 6,85 bilhões para R$ 3,48 bilhões.
Outros programas também registraram redução:
- Proirriga: queda de 48%
- Inovagro: retração de 33%
- Pronamp (médio produtor): queda de 34%, de R$ 5,49 bilhões para R$ 3,65 bilhões
- Prodecoop: recuo de 3%, a menor variação negativa
Fontes de recursos
Nas fontes controladas, o volume total chegou a R$ 98,8 bilhões, com aumento de R$ 6,5 bilhões em relação a janeiro de 2026.
O destaque foi o crescimento das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) na modalidade controlada, que avançaram 4.038%, atingindo R$ 25,7 bilhões após mudanças regulatórias que ampliaram o uso desse instrumento.
Outros resultados incluem:
- Recursos obrigatórios: R$ 36 bilhões (alta de 5%)
- Poupança rural controlada: R$ 10,6 bilhões (queda de 26%)
- Fundos constitucionais: R$ 13,1 bilhões (queda de 7%)
Nas fontes não controladas, o total foi de R$ 80,7 bilhões, redução de 24%.
A LCA livre caiu 36%, para R$ 41,1 bilhões, enquanto a poupança rural livre cresceu 28%, atingindo R$ 35,2 bilhões. Já o BNDES Livre registrou queda de 18%, totalizando R$ 3,8 bilhões.
Recursos ainda disponíveis
Do total de R$ 113,4 bilhões em recursos equalizáveis previstos no Plano Safra 2025/2026, R$ 44,1 bilhões haviam sido concedidos até fevereiro, o equivalente a 39% do total programado.
Assim, 61% dos recursos ainda permanecem disponíveis para contratação até o final do plano.
Entre as instituições financeiras que operam o crédito equalizado de investimento, o Banco do Brasil lidera com R$ 6,3 bilhões, seguido pelo BNDES, com R$ 5,5 bilhões.
No custeio equalizado, o Banco do Brasil também aparece na primeira posição, com R$ 10,9 bilhões, seguido por Sicoob e Sicredi. A Cresol já executou 100% do crédito de custeio programado.
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