A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma nota de esclarecimento para negar participação na produção, autorização ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral de 2026. O posicionamento foi publicado após declarações do candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, que afirmou ter recebido informações de que pessoas ligadas à entidade teriam contribuído para disseminar uma publicação sobre Nossa Senhora Aparecida.
A controvérsia envolve uma informação segundo a qual Flávio Bolsonaro teria intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O candidato negou a afirmação e classificou o conteúdo como uma notícia falsa. Segundo ele, a informação teria sido divulgada inicialmente por integrantes ligados ao PT e contado com suposto apoio de pessoas dentro da CNBB.
Na nota, a entidade católica afirmou que repudia a produção e o uso de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possa ser beneficiado ou prejudicado por elas. A CNBB também declarou que não integra estruturas político-partidárias, partidos ou candidaturas.
A organização explicou ainda que suas manifestações relacionadas às eleições são apresentadas dentro de sua atuação pastoral e seguem princípios expressos em documentos da própria instituição. Entre os fundamentos citados estão a dignidade humana, o bem comum, a democracia e a liberdade de consciência.
A CNBB também afirmou que atribuir à entidade participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação sem fatos e provas, segundo a própria nota, prejudica a instituição e não contribui para um ambiente de responsabilidade durante o processo eleitoral. O documento reafirma o compromisso da entidade com a verdade, o diálogo e a paz.
Após a divulgação da nota, Flávio Bolsonaro voltou a se manifestar sobre o assunto. O candidato agradeceu à CNBB pelo esclarecimento e afirmou que o documento confirmaria sua versão de que a informação sobre a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida seria falsa. A declaração, assim como a acusação inicial, é atribuída ao próprio candidato.
A polêmica ocorre em meio a outras discussões eleitorais envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida. No domingo (27), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a restauração de uma publicação sobre o tema que havia sido retirada por decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O caso envolve diferentes interpretações sobre os limites da liberdade de expressão no contexto eleitoral.
A CNBB mantém, em seu site institucional, referência a Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil e afirma que o título está ligado à tradição religiosa e à devoção popular brasileira.
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