O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, reconheceu nesta terça-feira (28) que a Operação Contenção, realizada pelas forças de segurança estaduais nos complexos do Alemão e da Penha, extrapolou “os limites e as competências” do governo do estado.
“Eu até entendo que estamos excedendo as nossas competências, mas continuaremos as excedendo. E, se precisarmos exceder ainda mais, o faremos, na nossa missão de servir e proteger nosso povo”, afirmou Castro durante coletiva de imprensa.
A operação — considerada a maior do Rio em 15 anos — já deixou 64 mortos, entre eles quatro policiais, além de mais de 80 presos e 75 fuzis apreendidos.
“O estado está sozinho nesta guerra”
Ao justificar a ação, o governador cobrou maior apoio do governo federal no enfrentamento às organizações criminosas que atuam no Rio e em outras regiões do país.
“Esta operação tem muito pouco a ver com segurança pública. Ela é uma operação de defesa. Esta é uma guerra que está passando os limites do que o estado deveria estar enfrentando sozinho. Para uma guerra dessa, deveríamos ter apoio muito maior, talvez até das Forças Armadas”, disse Castro, citando o poder de fogo e os recursos financeiros das facções.
Planejamento e falta de apoio federal
Segundo o governador, a operação foi planejada ao longo de seis meses e contou com o aval da Justiça e acompanhamento do Ministério Público estadual, após um ano de investigações. No entanto, não houve solicitação de apoio federal, já que, segundo Castro, pedidos anteriores foram negados.
“Pedimos os blindados militares algumas vezes. Todas as vezes, os pedidos foram negados. Como o presidente [Luiz Inácio Lula da Silva] já afirmou que é contra GLOs, entendemos a realidade. Não vamos ficar chorando pelos cantos”, afirmou.
Posição do governo federal
Em nota, o Ministério da Defesa confirmou que o estado pediu, em janeiro, apoio logístico da Marinha, mas que a Advocacia-Geral da União (AGU) condicionou a liberação de veículos blindados à decretação de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO) — medida que depende de decreto presidencial.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública destacou que desde 2023 agentes da Força Nacional atuam em apoio ao estado, e que a Polícia Federal deflagrou 178 operações em 2025, com 190 armas apreendidas, entre elas 17 fuzis, e 10 toneladas de drogas.
A pasta também informou que o Rio recebeu R$ 99 milhões do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) desde 2016, mas usou apenas R$ 39 milhões, além de R$ 288 milhões do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) entre 2019 e 2025, dos quais R$ 157 milhões foram executados.
“Estamos empenhados em combater o crime de forma cooperativa e integrada. Esse é mais um exemplo de integração federativa que a PEC da Segurança Pública pretende consolidar”, declarou o ministério.
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