O Censo 2022 revelou que em 93% das cidades brasileiras a renda média da população é igual ao salário mínimo, e que cerca de 35% dos trabalhadores do país recebem até um salário mínimo (R$ 1.212). Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (9/10) pelo IBGE, no módulo sobre Trabalho e Rendimento.
A pesquisa detalha informações sobre ocupação, rendimento de todos os trabalhos e escolaridade da população, por municípios, estados e Brasil. Entre os destaques, os rendimentos médios dos homens (R$ 3.115) superam em 24,3% os das mulheres (R$ 2.506). O recorte por cor ou raça mostra maior rendimento para os grupos amarelo (R$ 5.942) e branco (R$ 3.659), acima da média nacional (R$ 2.851), enquanto pardos (R$ 2.186), pretos (R$ 2.061) e indígenas (R$ 1.683) estão abaixo.
O estudo do IBGE destaca ainda que, enquanto 7,6% dos trabalhadores recebem mais de cinco salários mínimos, 520 municípios (9,3%) têm rendimento médio inferior a um salário mínimo, e apenas 19 municípios ultrapassam quatro salários mínimos.
Entre os municípios com maior ocupação estão Fernando de Noronha/PE (82,9%), Vila Maria/RS (78,4%) e Serra Nova Dourada/MT (78,2%), bem acima da média nacional de 53,5%. Por faixa etária, o nível de ocupação é mais alto entre pessoas de 35 a 39 anos (72,8%) e mais baixo entre 14 e 17 anos (11,1%).
A pesquisa também mostra diferenças significativas de rendimento e escolaridade por gênero e raça. Homens ocupados recebem mais que mulheres em todas as faixas de instrução, e mulheres apresentam maior escolaridade, com 28,9% possuindo nível superior completo. Quanto à cor ou raça, pessoas amarelas e brancas possuem rendimentos médios mais altos, enquanto pretos, pardos e indígenas ficam abaixo da média nacional.
No âmbito das atividades econômicas, a maior participação feminina está em serviços domésticos (93,1%), saúde (77,1%) e educação (75,3%), enquanto a menor ocorre em construção (3,6%), transporte e correios (9,3%) e indústrias extrativas (14,4%).
O rendimento domiciliar per capita também evidencia desigualdade: a média nacional é R$ 1.638, com os maiores valores em Nova Lima/MG (R$ 4.300) e os menores em Uiramutã/RR (R$ 289). Por cor ou raça, as populações amarela (R$ 3.520) e branca (R$ 2.207) recebem mais que pretos (R$ 1.198), pardos (R$ 1.190) e indígenas (R$ 669).
Segundo o IBGE, os dados reforçam a importância do salário mínimo e de políticas de valorização do piso nacional, retomadas pelo governo em 2023, como ferramenta de inclusão e redução de desigualdades.
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