O Brasil conta atualmente com 585 unidades especializadas da Polícia Civil voltadas ao atendimento de mulheres vítimas de violência. O dado faz parte do 10º Diagnóstico Nacional das Unidades de Polícia Civil Especializadas no Atendimento às Mulheres, elaborado com base em informações de 2025.
A publicação apresenta um retrato da estrutura disponível em todo o país, reunindo dados sobre profissionais, atendimentos, registros de ocorrências, investigações, medidas protetivas e prisões. O levantamento foi divulgado no ano em que a Lei Maria da Penha completa duas décadas.
Das 585 unidades identificadas, 530 responderam à pesquisa, o que corresponde a 90,6% do total. Entre as participantes, 495 são delegacias especializadas. Desse grupo, 282 funcionam exclusivamente para o atendimento de mulheres, enquanto outras 213 possuem atendimento misto.
Os dados revelam a dimensão da demanda recebida pela rede especializada. Ao longo do período analisado, foram contabilizados 782.474 atendimentos e 608.152 boletins de ocorrência.
O levantamento também registra 329.451 mulheres vítimas atendidas e 323.196 inquéritos policiais instaurados. As unidades especializadas ainda contabilizaram 302.626 solicitações de medidas protetivas de urgência.
Entre as ações de enfrentamento à violência, o diagnóstico aponta 53.517 prisões em flagrante de suspeitos de agressão. Também foram apreendidas 2.539 armas de fogo legalmente registradas que estavam em posse dos autores das agressões.
A estrutura especializada reúne aproximadamente 6,2 mil profissionais em atuação no país. Segundo o diagnóstico, o contingente aumentou 19,8% em relação ao registrado dois anos antes.
Apesar da ampliação do efetivo, o estudo identifica limitações que ainda dificultam o acesso das mulheres aos serviços de proteção. Um dos principais problemas está relacionado ao horário de funcionamento.
Cerca de 80% das unidades pesquisadas não oferecem atendimento durante 24 horas. Para o diagnóstico, a ampliação do funcionamento é um dos pontos que precisam ser considerados no fortalecimento da rede, principalmente para garantir assistência em situações de emergência.
A edição mais recente do diagnóstico amplia o conjunto de informações disponíveis sobre as unidades especializadas. O levantamento permite acompanhar a evolução da criação dessas estruturas ao longo dos anos e analisar a distribuição das delegacias e dos policiais em relação à população feminina.
Também fazem parte da publicação dados sobre as chamadas Salas Lilás, espaços destinados a oferecer atendimento mais adequado e acolhedor às mulheres vítimas de violência.
O estudo reúne ainda informações sobre medidas protetivas de urgência e as ocorrências mais registradas relacionadas à violência contra as mulheres.
Com a consolidação desses indicadores, o diagnóstico busca oferecer informações para avaliar a capacidade de atendimento da Polícia Civil e orientar o aperfeiçoamento das políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres.
A publicação também contribui para identificar desigualdades na distribuição da estrutura especializada e os pontos que ainda precisam ser aprimorados para ampliar a proteção e o acesso aos serviços.
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