O Brasil registrou mais de 34 mil solicitações de reconhecimento da condição de refugiado no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) divulgados em agosto.
O levantamento aponta uma mudança no perfil dos pedidos. Pela primeira vez em um período recente, cidadãos cubanos aparecem na liderança, superando venezuelanos e haitianos.
Entre janeiro e junho, foram contabilizadas aproximadamente 20,4 mil solicitações de cubanos. O número representa uma mudança em relação ao cenário observado nos últimos anos, quando os venezuelanos ocupavam a primeira posição entre os grupos que buscavam proteção no Brasil.
Os venezuelanos registraram redução nas solicitações em relação ao período anterior. Em 2025, foram contabilizados cerca de 21,2 mil pedidos dessa nacionalidade.
Ao longo da última década, a Venezuela permanece entre os principais países de origem dos imigrantes que chegaram ao Brasil. Roraima, estado que faz fronteira com o país vizinho, concentra uma parcela significativa desse fluxo.
Os haitianos aparecem na terceira posição no primeiro semestre de 2026, com 1.405 solicitações. O resultado supera os 262 registros contabilizados em 2025.
O aumento dos pedidos de cubanos ocorre em um contexto de dificuldades econômicas e sociais enfrentadas pela população da ilha. Representantes do governo cubano também apontam problemas relacionados ao abastecimento de energia e medicamentos como fatores que agravam a situação.
O movimento registrado no primeiro semestre faz parte de um fluxo migratório mais amplo. Dados do OBMigra indicam que mais de 548 mil pessoas buscaram refúgio no Brasil desde 2016.
Atualmente, o país reúne aproximadamente 2 milhões de imigrantes de cerca de 200 nacionalidades. Desse total, aproximadamente 414 mil estão empregados formalmente, conforme informações apresentadas pelo Ministério da Justiça.
Os números demonstram a diversidade do perfil migratório brasileiro e a importância das políticas de acolhimento, documentação, integração social e inserção no mercado de trabalho.
O número de solicitações não corresponde necessariamente à quantidade de pessoas que já tiveram o reconhecimento da condição de refugiado.
No primeiro semestre de 2026, foram analisados 3.540 pedidos, segundo os dados apresentados. Desse total, 2.425 tiveram decisão favorável.
O reconhecimento da condição de refugiado é resultado de um processo específico de análise, no qual são avaliadas as circunstâncias apresentadas pelo solicitante e sua situação diante da legislação brasileira e dos compromissos internacionais assumidos pelo país.
O aumento das solicitações reforça o desafio de ampliar a capacidade de atendimento e análise dos pedidos, além de garantir que pessoas em situação de vulnerabilidade tenham acesso à documentação, serviços públicos e mecanismos de proteção previstos na legislação brasileira.
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