Durante a Pré-COP, evento preparatório para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada nesta terça-feira (14) em Brasília, o Brasil apresentou a 67 países uma proposta de resposta global para o enfrentamento de incêndios florestais e outros ecossistemas afetados pelo fogo.
A iniciativa, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), busca engajar nações em ações conjuntas de manejo do fogo e resiliência climática, especialmente diante do aumento de secas extremas e altas temperaturas provocadas pelas mudanças climáticas.
O secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial, André Lima, destacou que, apenas em 2024, o Brasil teve 35 milhões de hectares de florestas, campos, cerrado e pastagens afetados por incêndios. Na Amazônia, foram 6 milhões de hectares de vegetação nativa destruídos — uma área maior que países como Bélgica ou Suíça.
“Precisamos ir além e adotar um código de conduta forte e eficaz, que assegure que os incêndios florestais sejam tratados como prioridade global de clima”, afirmou Lima.
A proposta, que será lançada oficialmente na COP30 em Belém (PA), valoriza o conhecimento tradicional dos povos indígenas e comunidades locais nas etapas de prevenção, preparação, resposta, recuperação e uso ecológico do fogo.
O embaixador Maurício Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores (MRE), ressaltou que a cooperação internacional é essencial para enfrentar o avanço dos incêndios.
“Nenhuma nação pode enfrentá-los sozinha. É por isso que propomos este chamado à ação sobre gestão integrada do fogo e resiliência a incêndios florestais”, disse.
O presidente da COP29, Mukhtar Babayev, também manifestou apoio à iniciativa brasileira e destacou o simbolismo de sediar a próxima conferência na Amazônia.
“Sediar a COP30 na Amazônia oferece uma plataforma poderosa para avançar na resiliência a incêndios florestais. Infelizmente, os incêndios estão se tornando cada vez mais frequentes, severos e imprevisíveis”, afirmou.
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