A integração de áreas protegidas e a recuperação dos ecossistemas estarão entre os temas defendidos pelo Brasil na 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17). O encontro, realizado em Yerevan, na Armênia, reúne representantes de mais de 200 países até o dia 30 para discutir ações de proteção da natureza e avaliar o cumprimento dos compromissos internacionais.
A conferência marca a primeira revisão do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, acordo firmado por 196 países que estabelece 23 metas a serem alcançadas até 2030. O documento orienta iniciativas de conservação, restauração e uso sustentável da biodiversidade diante do avanço da degradação ambiental e da perda de espécies.
A delegação brasileira considera que o país tem uma contribuição relevante nesse processo por abrigar uma ampla diversidade de ecossistemas e desenvolver iniciativas de conservação que podem servir de referência para outras nações. Entre as propostas em debate está o fortalecimento da conectividade ecológica, por meio de corredores que permitam a ligação entre áreas terrestres, rios e ambientes marinhos e costeiros.
O WWF-Brasil pretende defender que essa abordagem seja incorporada ao Programa de Trabalho sobre Áreas Protegidas, adotado em 2004, durante a COP7. A proposta busca ampliar a integração entre territórios conservados, melhorar a efetividade das políticas ambientais e favorecer a sobrevivência das espécies, especialmente em paisagens fragmentadas pela ocupação humana.
O diretor técnico de Biodiversidade do WWF-Brasil, Marcelo Oliveira, destaca que a conservação precisa considerar os ecossistemas como sistemas interligados. A conexão entre habitats pode contribuir para manter processos naturais, permitir o deslocamento da fauna e fortalecer a capacidade dos ambientes de responder às mudanças climáticas e a outras pressões.
A discussão ocorre em um cenário de preocupação internacional com o cumprimento das metas de biodiversidade. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que os compromissos assumidos ainda estão distantes dos resultados necessários. Embora quase todos os países signatários tenham definido metas nacionais, as medidas adotadas até agora não garantem o alcance de todos os objetivos previstos para 2030.
Segundo os dados apresentados por Guterres, houve avanços na proteção legal de áreas naturais, com acréscimos de 1,3 milhão de quilômetros quadrados em territórios terrestres e 6 milhões de quilômetros quadrados em áreas marinhas. Mesmo assim, as projeções indicam que, se o ritmo atual continuar, a parcela protegida chegará a apenas 26% dos ecossistemas terrestres e 12% dos marinhos até o fim da década.
Um estudo do Global Cooperation Institute, encomendado pelo WWF, aponta que a implementação de medidas importantes está atrasada e que a falta de financiamento e cooperação dificulta o avanço das ações. O levantamento estima em US$ 10 trilhões a US$ 25 trilhões anuais os custos não contabilizados dos impactos ambientais associados aos modelos econômicos atuais, incluindo efeitos sobre o clima, a disponibilidade de água, a alimentação e a saúde.
Para o WWF Internacional, a COP17 precisa impulsionar a execução dos compromissos assumidos pelos governos. A organização avalia que ações coordenadas podem contribuir para aumentar a resiliência dos ecossistemas, fortalecer a segurança hídrica e alimentar e reduzir riscos econômicos. Nesse contexto, o Brasil pretende destacar a conectividade ecológica como uma das ferramentas para avançar na conservação da biodiversidade até 2030.
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