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Amazônia pode deixar de capturar até 2,9 bilhões de toneladas de carbono até 2030, alerta estudo

Levantamento da RAISG mostra que a perda de cobertura florestal e o enfraquecimento das políticas ambientais ameaçam o papel do bioma no combate às mudanças climáticas.

redação Por redação
23/10/2025 - 16:20
em Brasil
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Estudo alerta que a Amazônia pode perder até 2,9 bilhões de toneladas de carbono até 2030 se não houver controle sobre o desmatamento.

Imagem:Valter Campanato/Agência Brasil

A Amazônia pode deixar de capturar 2,94 bilhões de toneladas de carbono até 2030 se os países da região reduzirem o controle sobre o desmatamento. A projeção é de um estudo divulgado nesta quinta-feira (23) pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG), formada por oito organizações da sociedade civil de países amazônicos.

O levantamento considerou dados de Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, e alerta que, mesmo com a manutenção das políticas ambientais atuais, a floresta deve perder 1,113 bilhão de toneladas de capacidade de captura de carbono nos próximos cinco anos.

A proteção das florestas é decisiva para conter o aquecimento global. Foto: Agência Pará/Divulgação

De acordo com os pesquisadores, proteger as florestas mais preservadas, especialmente em terras indígenas e áreas naturais protegidas, é essencial para conter o aquecimento global. Em 2023, esses territórios concentraram 61% de todo o carbono florestal capturado na Amazônia.

“Estamos diante de uma contagem regressiva ambiental. Se não forem fortalecidas as políticas de proteção e se não for reconhecido o papel central dos povos indígenas e das comunidades locais, a Amazônia deixará de ser um aliado climático e se tornará uma fonte de crise”, alertou Renzo Piana, diretor executivo do Instituto do Bem Comum, membro da RAISG.

Amazônia perde capacidade de capturar carbono

Nas últimas décadas, o bioma já vem perdendo sua capacidade de regular o clima global. A RAISG estima que, em 2023, a Amazônia deixou de capturar 5,7 bilhões de toneladas de carbono em comparação com o ano 2000, uma redução de 6,3%.

Entre 1985 e 2023, mais de 88 milhões de hectares de florestas — áreas fundamentais para a regulação climática — foram transformadas em terras agropecuárias, urbanas e mineradoras. Segundo os pesquisadores, essa devastação não só fragmenta a floresta, mas também afeta a regeneração e a fotossíntese das árvores remanescentes, comprometendo sua função como sumidouro de carbono.

Três cenários possíveis até 2030

O estudo, realizado no âmbito do projeto Ciência e Saber Indígena pela Amazônia, em parceria com o Woodwell Climate Research Center, simulou três cenários futuros para as reservas de carbono, utilizando dados de satélite e o software de modelagem ambiental Dinâmica Ego.

  • Pior cenário: caso os governos relaxem o controle sobre o desmatamento, a Amazônia capturaria 82,257 bilhões de toneladas de carbono em 2030, contra 85 bilhões em 2023 — uma queda de 3,5%.
  • Cenário intermediário: com políticas ambientais mais permissivas, a perda seria de 2,294 bilhões de toneladas, o equivalente a 2,7% das reservas.
  • Cenário atual: mantendo-se as políticas e taxas de desmatamento vigentes, haveria ainda uma redução de 1,113 bilhão de toneladas, ou 2% até 2030.

“Cada tonelada de carbono mantida nas florestas amazônicas é um investimento no futuro do planeta”, ressaltou Mireya Bravo Frey, coordenadora regional do projeto. “Fortalecer a proteção das Terras Indígenas e das Áreas Protegidas significa conservar as maiores reservas de carbono florestal do mundo.”

O que é a captura de carbono?

A RAISG explica que a captura de carbono florestal ocorre durante a fotossíntese, quando árvores absorvem dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera e armazenam o carbono em troncos, raízes e folhas. Esse processo ajuda a conter o efeito estufa causado pela queima de combustíveis fósseis e pelo desmatamento.

Segundo o especialista Jose Victorio, da RAISG, a redução da cobertura florestal tem efeitos diretos sobre o clima global:

“Menos florestas significam menos reservas de carbono e, portanto, mais emissões poluentes. Isso gera temperaturas mais altas, secas, enchentes e eventos climáticos extremos que ameaçam a biodiversidade e a segurança alimentar do planeta.”

A rede recomenda que os países amazônicos priorizem políticas integradas entre ciência e saberes indígenas, incentivem modelos econômicos de baixo carbono e combatam com rigor o desmatamento, os incêndios e as atividades ilegais no bioma.

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Tags: #Amazônia#Povos IndígenasAquecimento GlobalcarbonoDesmatamentoFlorestasMeio AmbienteMudanças climáticasRAISGSustentabilidade
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