A Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) terá, a partir de 2027, a maior representação feminina de sua história. A bancada de mulheres passará de quatro para seis deputadas na legislatura 2027-2030, ocupando 20% das 30 cadeiras do Parlamento. O resultado supera o antigo recorde, registrado em 2002, quando cinco mulheres foram eleitas.
Entre as parlamentares reeleitas estão Camila Valadão (Psol), Janete de Sá (PSB) e Raquel Lessa (PP). Camila foi a deputada mais votada do Espírito Santo em 2026, com 61.501 votos, repetindo o feito de 2022, quando também alcançou a maior votação feminina da história da Ales. Para ela, o crescimento da presença feminina representa uma mudança importante na composição do Legislativo estadual.
Janete de Sá também alcançou uma marca inédita. Com 32.033 votos, a deputada conquistou o sétimo mandato consecutivo e se tornou a mulher com o maior número de mandatos na história da Assembleia. Ela afirmou que pretende manter a atuação em áreas como saúde pública, direitos das mulheres e das famílias, servidores públicos, juventude, agricultura e proteção dos animais.
Raquel Lessa, por sua vez, foi reeleita para o quarto mandato consecutivo, com 29.583 votos. A deputada destacou a campanha realizada próxima dos eleitores e ressaltou a importância do aumento da participação feminina na política. Segundo ela, a presença de mais mulheres pode ampliar a diversidade de experiências e perspectivas na elaboração de projetos e políticas públicas.
A próxima legislatura também terá três estreantes. Karla Coser (PT), vereadora de Vitória, recebeu 51.306 votos e conquistou uma vaga na Assembleia. Açucena (PT), vereadora de Cariacica, também foi eleita pela primeira vez para o Legislativo estadual. Já Jeesala Coutinho (MDB) obteve 26.734 votos e chega à Ales após experiência na administração municipal de Aracruz.
As novas deputadas destacaram a necessidade de ampliar a representação feminina nos espaços de decisão. Karla Coser defendeu uma política mais próxima de diferentes grupos sociais, enquanto Açucena ressaltou que, embora as mulheres sejam maioria da população capixaba, ainda estão em menor número nos cargos de poder. Jeesala Coutinho afirmou que uma bancada feminina maior pode contribuir para a discussão de políticas específicas para mães solo, mulheres vítimas de violência e famílias de pessoas com deficiência.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que as mulheres representam cerca de 53% do eleitorado do Espírito Santo, com 1.578.618 eleitoras. Apesar da maioria entre os votantes, a participação feminina historicamente foi menor no Legislativo estadual. Antes da eleição de 2026, o maior número havia sido alcançado em 2002, quando Sueli Vidigal, Fátima Couzi, Mariazinha Vellozo Lucas, Brice Bragato e Janete de Sá foram eleitas.
Com seis deputadas na legislatura 2027-2030, a Ales passa a ter a maior bancada feminina desde a criação do Parlamento capixaba. A nova composição reúne parlamentares experientes e estreantes, ampliando a presença das mulheres nas discussões e decisões do Legislativo estadual.
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