Um superaquecimento em painéis de controle do reator de pesquisa IEA-R1, localizado no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, na capital paulista, deve atrasar a retomada das atividades científicas e a produção de radioisótopos utilizados na medicina.
O incidente ocorreu na tarde da ultima segunda-feira (23) e levou à evacuação preventiva do prédio. Segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear, não houve risco à segurança nuclear nem vazamento de radiação.
De acordo com a Cnen, o problema atingiu dois painéis de controle, provocando fumaça e danos em parte da estrutura. As causas do superaquecimento ainda não foram identificadas.
Equipes da própria instituição, do Corpo de Bombeiros, do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo realizaram vistorias no local.
A Cetesb também monitora a qualidade do ar, enquanto equipamentos foram instalados para renovação completa do ambiente interno.
Uma empresa especializada já foi contratada para elaborar o laudo técnico e avaliar a substituição dos equipamentos danificados.
Sem risco radiológico
A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear confirmou que o incidente teve caráter localizado, atingindo racks, cabeamento e parte do teto, sem qualquer impacto radiológico.
Os inspetores da autoridade reguladora estiveram no local nos dias seguintes e reforçaram que não há risco à população ou ao meio ambiente.
No momento do incidente, o reator estava desligado, embora alguns sistemas permanecessem energizados para garantir a segurança, como os sistemas de refrigeração e monitoramento.
Importância do reator para a saúde e pesquisa
O reator IEA-R1, em operação há 68 anos, é o principal reator de pesquisa do país, com potência licenciada de 5 MW. Ele desempenha papel fundamental na produção de radioisótopos usados na medicina nuclear, além de aplicações industriais e científicas.
Parte dessas substâncias é essencial para exames e tratamentos médicos realizados em todo o Brasil.
Desde novembro de 2025, o reator já passava por readequações técnicas após a identificação de alterações em componentes internos.
Impacto e futuro da produção nacional
O Brasil conta atualmente com quatro reatores de pesquisa vinculados à Cnen, sendo o IEA-R1 o mais importante.
Para ampliar a capacidade nacional, um novo reator está em construção na cidade de Iperó, com previsão de entrega até 2029.
Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a nova estrutura terá capacidade de 30 MW e permitirá ao país alcançar autossuficiência na produção do radioisótopo molibdênio-99, utilizado na geração do tecnécio-99m, essencial para diagnósticos médicos.
Além disso, o projeto deve impulsionar pesquisas, formação de profissionais e o desenvolvimento de novas tecnologias nucleares no Brasil.
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