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Exposição sobre Exu no Museu Afro Brasil resgata significado do orixá e combate preconceitos

Mostra “Padê – sentinela à porta da memória” apresenta a complexidade de Exu e das religiões afro-brasileiras até julho.

redação Por redação
28/03/2026 - 15:23
em Cultura
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Exposição no Museu Afro Brasil destaca o papel de Exu e valoriza religiões de matriz africana, combatendo estigmas históricos.

Imagem: Letycia Bond/Agência Brasil

Uma das figuras mais incompreendidas fora dos terreiros, o orixá Exu é celebrado como guardião dos caminhos, mensageiro entre mundos e responsável por permitir a realização de ações espirituais e materiais nas religiões de matriz africana.

Essa importância é o foco da exposição “Padê – sentinela à porta da memória”, em cartaz até 26 de julho no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, na capital paulista.

A mostra propõe um mergulho na simbologia, nos rituais e na presença de Exu nas tradições afro-brasileiras, reunindo obras de artistas renomados e promovendo reflexões sobre fé, cultura e resistência.

O significado de Padê e os orixás

Padê é o nome dado às oferendas realizadas para orixás como Oxalá, Ogum, Oxum, Iemanjá, Xangô e Iansã, entre outros. Elas são feitas para pedir proteção, समाधान de dificuldades ou celebrar essas entidades.

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No caso de Exu, o padê também simboliza abertura de caminhos e comunicação entre o plano espiritual e o físico.

Três perspectivas da exposição

Com curadoria de Rosa Couto, doutora pela Universidade Estadual Paulista, a exposição está dividida em três eixos;

  • África: aborda rituais e origens da divindade
  • Travessia: destaca Exu como símbolo de movimento e conexão
  • Diáspora: mostra sua presença nas religiões afro-brasileiras

A mostra reúne obras de artistas como Emanoel Araujo, Mario Cravo Neto, Pierre Verger e Mestre Didi, entre outros nomes importantes da arte afro-diaspórica.

Entre o sagrado e o preconceito

Diferente da visão ocidental de oposição entre bem e mal, Exu é uma entidade complexa, que reúne características humanas e espirituais. Nas tradições afro-brasileiras, não há a figura do “diabo” como no cristianismo.

Ainda assim, por influência histórica, Exu foi equivocadamente associado a essa imagem, o que contribuiu para a marginalização dessas religiões.

A exposição busca justamente desconstruir esse estigma, apresentando o orixá em sua dimensão original e cultural.

Pombagiras e representatividade feminina

Além das manifestações masculinas de Exu, a mostra também destaca as pombagiras — entidades femininas como Maria Padilha e Maria Mulambo — associadas à força, liberdade e enfrentamento de opressões.

A artista Ayô Tupinambá apresentou uma performance inspirada nessas entidades, dentro do projeto “Negras Palavras”, que já contou com nomes como Juçara Marçal e Tiganá Santana.

Segundo Ayô, as pombagiras representam ancestrais que retornam para orientar e fortalecer aqueles que enfrentam dificuldades, especialmente mulheres.

Crescimento das religiões afro-brasileiras

Dados do Censo Demográfico de 2022 indicam aumento no número de praticantes de religiões como umbanda e candomblé, que passaram de 0,3% para 1% da população brasileira.

Ao mesmo tempo, houve redução na proporção de católicos, embora ainda sejam maioria no país.

Para praticantes, essas religiões valorizam a responsabilidade individual e não atribuem ações humanas a forças externas malignas.

Serviço:

  • Exposição: Padê – sentinela à porta da memória
  • Período: até 26 de julho de 2026
  • Local: Museu Afro Brasil Emanoel Araujo
  • Endereço: Parque Ibirapuera – Portão 10 – São Paulo (SP)
  • Curadoria: Rosa Couto
  • Patrocínio: Vivo
  • Viabilização: Lei Rouanet

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Tags: #Candomblé#CulturaAfro#DiversidadeCultural#exu#MuseuAfroBrasil#Pombagira#ReligiõesAfroBrasileiras#SãoPaulo#UmbandaArte
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