O impacto da inteligência artificial nas eleições de 2026 é o tema do programa Caminhos da Reportagem, exibido nesta segunda-feira (28), às 23h30, pela TV Brasil e pelo canal da emissora no YouTube. A atração aborda como vídeos, áudios, imagens e textos produzidos ou modificados por ferramentas de IA podem influenciar a circulação de informações durante o período eleitoral.
A tecnologia permite que sistemas produzam conteúdos cada vez mais semelhantes aos feitos por seres humanos, tornando mais difícil identificar o que é verdadeiro e o que foi artificialmente criado ou manipulado. Diante desse cenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu regras específicas para o uso de inteligência artificial na propaganda das eleições deste ano.
A utilização de IA não é proibida nas campanhas, mas conteúdos sintéticos produzidos ou significativamente modificados pela tecnologia precisam ser identificados de maneira explícita, destacada e acessível. A exigência vale para materiais em texto, áudio, vídeo e imagem.
As regras também estabelecem restrições para o período próximo à votação. Novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por IA que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas não podem ser publicados, republicados ou impulsionados entre as 72 horas anteriores e as 24 horas posteriores ao encerramento da eleição.
Para o jornalista Sérgio Lüdtke, editor-chefe do Comprova, um dos desafios está na forma como os conteúdos circulam pelas redes sociais. Segundo ele, materiais fragmentados e apresentados sem contexto podem dificultar a avaliação do eleitor e favorecer a disseminação de informações enganosas. O professor e especialista em direito eleitoral Diogo Rais também chama atenção para a responsabilidade de quem produz e compartilha conteúdo político, inclusive quando não se trata de candidato.
A fiscalização não se limita aos candidatos. A Polícia Federal também investiga crimes eleitorais praticados no ambiente digital e busca identificar os responsáveis por conteúdos ilícitos. O delegado Henrique Oliveira Santos, da Divisão de Repressão a Crimes Eleitorais da PF, ressalta que a internet não é um espaço sem regras e que as investigações podem utilizar recursos tecnológicos para identificar a autoria de publicações criminosas.
Além da fiscalização, iniciativas de checagem e educação digital têm sido desenvolvidas para ajudar a população a reconhecer conteúdos manipulados. Entre os exemplos está a Coar Notícias, criada no Piauí, que desenvolveu manuais regionais de verificação de informações. Projetos de letramento digital também são oferecidos a diferentes faixas etárias, incluindo idosos, com o objetivo de ampliar a capacidade de avaliar conteúdos recebidos pela internet.
Com a aproximação do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, a inteligência artificial se consolida como um dos temas de atenção no ambiente eleitoral. Para o eleitor, a circulação de conteúdos gerados por tecnologia reforça a importância de verificar a origem das informações, buscar diferentes fontes e observar as identificações exigidas pela legislação antes de compartilhar materiais nas redes sociais.
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