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Casos de vírus sincicial respiratório crescem e acendem alerta para riscos em adultos e idosos

Responsável por parcela significativa dos casos de SRAG, o VSR ainda é subestimado e pode provocar complicações graves, incluindo eventos cardiovasculares; vacinação para adultos está disponível apenas na rede privada.

redação Por redação
12/04/2026 - 09:00
em Saúde
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Vírus sincicial respiratório (VSR) cresce no Brasil e aumenta o risco de complicações em idosos e pessoas com comorbidades. Vacina para adultos está disponível apenas na rede privada.

Imagem:Prefeitura de SP/Divulgação

O aumento dos casos de influenza A tem gerado preocupação entre as autoridades de saúde, mas esse não é o único agente infeccioso que ameaça a população brasileira. O vírus sincicial respiratório (VSR) tem ganhado destaque como importante causa de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), embora ainda seja pouco conhecido, especialmente entre adultos e idosos.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, no primeiro trimestre deste ano, 18% dos casos de SRAG com identificação viral confirmada foram causados pelo VSR. A expectativa é de crescimento ao longo do segundo trimestre. Informações do Boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz, indicam que o vírus respondeu por 14% dos casos entre fevereiro e março, proporção que subiu para 19,9% no período de março a abril. Em 2025, o VSR foi o vírus mais prevalente por 23 semanas consecutivas, entre março e agosto.

Dados de laboratórios privados, reunidos pelo Instituto Todos pela Saúde, reforçam essa tendência. Na semana epidemiológica encerrada em 4 de abril, 38% dos testes positivos para vírus respiratórios apontaram o VSR — um aumento de 12 pontos percentuais em relação à primeira semana de março.

Para a pneumologista e professora da Universidade Federal de Santa Catarina, Rosemeri Maurici, esses números representam apenas “a ponta do iceberg”. Segundo a especialista, o impacto real do VSR ainda não é totalmente conhecido, sobretudo em adultos e idosos, já que a testagem para o vírus passou a ser realizada em maior escala apenas após a pandemia de Covid-19.

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“Muitos hospitais internam pacientes com síndrome respiratória aguda grave e eles podem até morrer sem saber qual foi o agente causador, seja pela ausência de testes ou pela realização fora da janela de detecção”, explica.

Dos cerca de 27,6 mil casos de SRAG registrados no primeiro trimestre deste ano, apenas 9.079 tiveram o vírus identificado, enquanto quase 17% dos pacientes não foram sequer testados.

Impacto em crianças e adultos

O VSR é o principal causador da bronquiolite, inflamação pulmonar que acomete principalmente bebês, o que contribui para a percepção equivocada de que o vírus não afeta adultos. Entre janeiro e março, dos 1.651 casos graves confirmados, 1.342 ocorreram em crianças menores de dois anos, enquanto apenas 46 foram registrados em pessoas com mais de 50 anos.

Entretanto, a menor detecção em adultos pode estar relacionada à rápida redução da carga viral após cerca de 72 horas da infecção, dificultando o diagnóstico. Em crianças, a eliminação do vírus é mais lenta, ampliando a janela de identificação laboratorial.

Comorbidades ampliam o risco

Apesar da maior incidência em bebês, os dados de mortalidade demonstram impacto significativo entre idosos. Das 27 mortes registradas neste ano, 17 ocorreram em crianças de até dois anos e sete em pessoas com 65 anos ou mais.

Segundo a geriatra Maísa Kairalla, o envelhecimento e a presença de doenças crônicas aumentam a vulnerabilidade a infecções. “Com o avanço da idade ocorre a imunossenescência, ou seja, o declínio natural do sistema imunológico, elevando o risco de doenças infecciosas. No Brasil, esse processo muitas vezes está associado a comorbidades”, afirma.

A pneumologista Rosemeri Maurici acrescenta que hábitos como tabagismo e consumo excessivo de álcool também contribuem para o agravamento dos quadros clínicos.

Risco cardiovascular e metabólico

Durante o seminário “Impacto do VSR na população 50+”, organizado pela GSK, em São Paulo, especialistas destacaram a relação entre o VSR e outras condições de saúde. O cardiologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Múcio Tavares, ressaltou que mais de 60% dos casos graves associados à infecção pelo vírus ocorrem em pacientes com alguma doença cardiovascular.

Especialistas participam do seminário “O impacto do VSR na população 50+” – GSK/Divulgação

“As doenças virais respiratórias costumam levar a eventos cardiovasculares e cerebrovasculares, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e piora da insuficiência cardíaca. Isso acontece porque a infecção viral provoca uma inflamação sistêmica no organismo”, explicou.

O endocrinologista Rodrigo Mendes também alertou para a maior vulnerabilidade de pessoas com diabetes. Segundo ele, níveis elevados de glicose no sangue aumentam a suscetibilidade a infecções e podem agravar o quadro clínico. “Muitas vezes, o paciente está com a doença controlada e, ao contrair uma infecção, desenvolve uma resposta inflamatória exacerbada, necessitando de hospitalização e de um tratamento mais complexo”, afirmou.

Outro grupo de alto risco inclui pessoas com doenças respiratórias crônicas, como asma grave e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). De acordo com Rosemeri Maurici, a internação em unidade de terapia intensiva (UTI) eleva em 70% a probabilidade de morte desses pacientes em até três anos, além de acelerar a perda da função pulmonar e aumentar o risco de novas hospitalizações.

Vacinação e prevenção

A infecção pelo VSR e suas complicações podem ser prevenidas por meio da vacinação. No entanto, os imunizantes destinados à população adulta estão disponíveis, por enquanto, apenas na rede privada.

No Sistema Único de Saúde (SUS), o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece atualmente a vacina apenas para gestantes, com o objetivo de proteger os bebês nos primeiros meses de vida por meio da transferência de anticorpos.

A imunização é recomendada por entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Imunizações, para pessoas entre 50 e 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir dos 70 anos.

Rosemeri Maurici, que também coordena a Comissão de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, defende que as sociedades médicas indiquem os grupos prioritários à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, responsável por recomendar a adoção de novas terapias ao Ministério da Saúde.

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Tags: #Comorbidades#Fiocruz#Prevenção#SaúdePública#SaúdeRespiratória#VacinaçãoidososSRAGSUSVSR
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