O Sistema Único de Saúde (SUS) abriga o maior programa público de vacinação da América Latina: o Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado em 1973. Antes mesmo da criação do SUS, em 1990, o PNI já oferecia vacinas contra sarampo e poliomielite. Hoje, o calendário contempla 48 imunobiológicos, incluindo 31 vacinas, 13 soros e 4 imunoglobulinas.
Entre suas maiores conquistas estão a erradicação da poliomielite (1994), a recertificação do Brasil como país livre do sarampo pela OPAS e o pioneirismo na oferta da vacina contra a dengue. Até o final de 2025, o SUS também vai disponibilizar a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável pela maioria dos casos de bronquiolite e pneumonias em crianças pequenas.
Histórias de cuidado e transformação
A trajetória do PNI é marcada por profissionais que se dedicaram à imunização. A técnica em enfermagem Dora Couto, com 22 anos de atuação em salas de vacinação no Distrito Federal, resume esse trabalho:
“Sempre que ia vacinar as crianças, eu dizia que era uma ‘furadinha de amor’. Era mais do que um gesto técnico, era cuidado.”
Além das vacinas, o SUS também garantiu avanços históricos por meio do Programa Brasil Saudável, que eliminou a filariose linfática em 2024.
Edson José, morador de Jaboatão dos Guararapes (PE), lembra que conviveu mais de uma década com sequelas da doença:
“É graças ao programa Brasil Saudável e ao SUS que hoje posso fazer o tratamento com dignidade. Saber que essa doença foi eliminada é uma vitória.”
Avanços no combate ao HIV
Neste ano, o Ministério da Saúde solicitou à OPAS a certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV. O feito coloca o Brasil entre os poucos países do mundo a alcançar essa conquista, fruto de políticas de testagem, tratamento antirretroviral e acompanhamento de gestantes.
Para Micaela Cyrino, artista que nasceu com HIV, esse reconhecimento internacional é simbólico:
“É a prova de que a saúde pública importa e que o SUS tem salvado gerações.”
Vigilância e saúde preventiva
O SUS vai além das vacinas. O Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água (Vigiagua) assegura água potável em todo o país. Já o Sistema Vigitel, implantado em 2006, coleta dados sobre hábitos e fatores de risco da população, orientando políticas contra doenças crônicas como diabetes e hipertensão.
Em 2025, pela primeira vez, o Vigitel será expandido para além das capitais, reforçando o compromisso com equidade no cuidado.
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