O Sistema Único de Saúde (SUS) alcançou um marco inédito na medicina brasileira ao realizar, na última terça-feira (30), a primeira telecirurgia robótica oncológica de longa distância. O procedimento conectou, em tempo real, equipes médicas do Hospital de Amor Amazônia, em Porto Velho (RO), e do Hospital de Amor, em Barretos (SP), separados por cerca de 2,7 mil quilômetros.
A cirurgia foi acompanhada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Brasília, enquanto o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, e a secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, acompanharam a operação diretamente da unidade de Barretos.
O paciente submetido ao procedimento foi diagnosticado com câncer no reto. Durante a operação, a equipe médica presente em Porto Velho ficou responsável pelo atendimento ao paciente e pelo posicionamento dos equipamentos robóticos, enquanto especialistas em Barretos monitoraram toda a cirurgia e assumiram, quando necessário, o controle remoto dos instrumentos cirúrgicos.
Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa representa um importante passo para ampliar o acesso da população às cirurgias robóticas pelo SUS, especialmente em regiões distantes dos grandes centros urbanos.
Para tornar a operação possível, foi implantada uma estrutura tecnológica de alta confiabilidade, composta por conexões de fibra óptica redundantes, suporte da rede 5G e uma conexão exclusiva por VPN, garantindo estabilidade e segurança na transmissão dos dados durante todo o procedimento.
Antes da realização da cirurgia, as equipes médicas participaram de treinamentos e simulações para validar protocolos de segurança, testar o tempo de resposta da conexão e preparar estratégias para eventuais intercorrências.
A telecirurgia integra o projeto da Rede de Conectividade Saúde Brasil de Alta Performance e Segurança, firmado pelos ministérios da Saúde e das Comunicações. A iniciativa recebeu investimento inicial de R$ 2 milhões e prevê a implantação de infraestrutura tecnológica para fortalecer o atendimento remoto de alta complexidade em hospitais públicos.
Além do avanço na telemedicina, o Ministério da Saúde informou que também está ampliando a oferta de cirurgias robóticas no SUS. Entre as medidas está a incorporação da prostatectomia radical assistida por robô e o financiamento de sistemas de cirurgia robótica para hospitais habilitados em oncologia, com expectativa de beneficiar cerca de 5 mil pacientes.
Referência nacional no tratamento oncológico, o Hospital de Amor realiza atendimento totalmente gratuito pelo SUS e, somente em 2025, ultrapassou a marca de 2 milhões de atendimentos, contemplando pacientes de mais de 2,7 mil municípios brasileiros.
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