O Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) uma nova técnica cirúrgica que permite tratar glaucoma e catarata durante o mesmo procedimento. A medida foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União na última quinta-feira (17) e prevê a remoção do cristalino associada à desobstrução do sistema de drenagem do olho.
A incorporação foi proposta pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), em conjunto com a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A recomendação favorável à adoção da nova tecnologia havia sido aprovada em 21 de agosto.
O procedimento será destinado principalmente a pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto em estágios leves ou moderados. A técnica é considerada menos invasiva em comparação com algumas alternativas utilizadas atualmente e pode contribuir para uma recuperação mais rápida, menor possibilidade de complicações e melhor controle da pressão dentro do olho.
O glaucoma precisa ser tratado porque o aumento da pressão intraocular pode provocar danos progressivos ao nervo óptico e levar à perda permanente da visão. Atualmente, o tratamento inicial oferecido pelo SUS utiliza medicamentos em forma de colírios. Quando a resposta não é satisfatória ou há dificuldades para manter o uso contínuo, podem ser indicados procedimentos a laser ou cirurgias.
A nova abordagem inclui duas técnicas. Uma delas é a goniotomia excisional, realizada por meio de uma pequena abertura na córnea. A outra é a trabeculotomia transluminal, que utiliza um microcateter ou fio cirúrgico para alcançar o canal natural responsável pela drenagem do líquido presente no interior do olho.
De acordo com dados apresentados pela Conitec, a adoção da goniotomia excisional também pode representar redução significativa de custos para o sistema público de saúde. A estimativa aponta economia de aproximadamente R$ 22,4 milhões no primeiro ano, chegando a R$ 93,2 milhões no quinto ano. Ao longo desse período, a economia acumulada pode alcançar R$ 276 milhões na comparação com a utilização do iStent.
O glaucoma é uma doença crônica que compromete o nervo óptico e pode causar perda gradual da visão, muitas vezes sem apresentar sintomas nas fases iniciais. No Brasil, a doença pode atingir até 3% da população com mais de 40 anos. O tipo primário de ângulo aberto é o mais frequente e corresponde a cerca de 60% dos diagnósticos, segundo informações da Conitec.
A catarata, por sua vez, ocorre quando o cristalino, estrutura natural responsável por ajudar na formação das imagens, perde sua transparência. A opacificação provoca redução progressiva da capacidade visual e é mais comum entre pessoas idosas. Com a incorporação da nova técnica, pacientes que apresentarem indicação para o tratamento conjunto das duas condições poderão contar com uma alternativa cirúrgica integrada dentro do SUS.
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