O Sistema Único de Saúde (SUS) celebra, nesta sexta-feira (19), 35 anos de existência, consolidando-se como o maior sistema público de saúde do mundo. Criado a partir da Conferência Nacional de Saúde de 1986 e regulamentado pela Lei nº 8.080/1990, o SUS transformou o acesso à saúde no Brasil, garantindo atendimento gratuito e universal para toda a população. Hoje, 76% dos brasileiros dependem do SUS, o equivalente a 213 milhões de pessoas.
Por ano, a rede realiza 2,8 bilhões de atendimentos e conta com cerca de 3,5 milhões de profissionais em atuação. A técnica de enfermagem Ana Célia dos Santos, de São Raimundo Nonato (PI), exemplifica a importância do SUS: “Foi na Unidade Básica de Saúde que fiz meu pré-natal, recebi todas as vacinas e onde meu filho nasceu com segurança. Hoje, quando ele adoece, sei que posso contar com o SUS.”
Cuidado integral e inovação
Uma das principais ações do SUS é a Estratégia Saúde da Família (eSF), lançada em 1994, que oferece atenção primária centrada na pessoa, família e comunidade. As equipes atuam em UBS urbanas, áreas rurais, fluviais, territórios indígenas e ruas, garantindo promoção, prevenção, diagnóstico e tratamento.
O Brasil também possui a maior rede pública de transplantes do mundo. Em 2024, foram realizados 30 mil procedimentos, com fornecimento gratuito de medicamentos imunossupressores. Robério Melo, transplantado de fígado, afirma: “Eu renasci. O SUS me devolveu a vida e hoje dedico minha trajetória a mostrar que doar órgãos é doar vida.”
Durante a pandemia de Covid-19, o SUS desempenhou papel crucial no atendimento e na atenção primária, evitando colapsos locais e garantindo cuidado a milhões de brasileiros, como relatou Cintia Fernanda de Lima, agente comunitária de saúde: “A atenção primária foi essencial para que o SUS funcionasse de forma eficaz durante a crise.”
Presença em emergências e proteção social
O SUS também atua em situações de emergência. Em tragédias como a Boate Kiss (2013) e as enchentes no Rio Grande do Sul (2024), a Força Nacional do SUS (FN-SUS) montou apoio psicossocial e organizou transferências de pacientes. Em crises indígenas, como na terra Yanomami, medidas emergenciais reduziram mortalidade e doenças em até 74%.
O sistema mantém ainda o maior programa público de vacinação da América Latina, com 48 imunobiológicos, e implementou marcos como o SAMU 192, Farmácia Popular, Brasil Sorridente, Rede Cegonha, Mais Médicos e Agora Tem Especialistas. Recentemente, a telessaúde realizou 2,5 milhões de atendimentos, ajudando a reduzir filas de consultas especializadas.
Futuro do SUS
O Novo PAC Saúde garante obras, novos equipamentos e unidades móveis, expandindo o acesso em todo o país e também em territórios indígenas. O governo federal projeta que, em até 10 anos, 70% das necessidades do SUS em medicamentos, vacinas e equipamentos sejam produzidas no Brasil, fortalecendo o Complexo Econômico-Industrial da Saúde.
O SUS vai além dos hospitais: ele atua na prevenção, na ciência, no controle de epidemias e na segurança alimentar, garantindo saúde e proteção social para toda a população. Como resume Rodrigo Silva, recuperado da Covid-19: “Mesmo com o hospital lotado, o SUS cuidou de mim com atenção. Foi o que salvou minha vida.”
*Compartilhe este conteúdo do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Espírito Santo.





