O Ministério da Saúde apresentou na última quinta-feira (3), em São Paulo, a Central de Comando das UTIs Inteligentes do Sistema Único de Saúde (SUS). Instalada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), a estrutura funcionará 24 horas por dia e permitirá acompanhar, em tempo real, os sinais vitais de pacientes internados em hospitais que já utilizam a tecnologia.
A central recebe informações como frequência cardíaca, pressão arterial e nível de oxigênio. A ideia é que esses dados ajudem as equipes médicas a identificar rapidamente possíveis alterações no estado de saúde dos pacientes e agir antes que um quadro se agrave. Atualmente, seis hospitais contam com a tecnologia, localizados em Manaus (AM), Recife (PE), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS), somando 60 leitos inteligentes.
Durante a apresentação, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a inteligência artificial já está sendo aplicada na rotina do SUS. Segundo o Ministério da Saúde, o monitoramento contínuo pode contribuir para reduzir complicações, diminuir o tempo de internação e aumentar a disponibilidade de leitos para outros pacientes.
A iniciativa faz parte da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão, que busca ampliar o uso de tecnologia, conectividade e inteligência artificial nos serviços públicos de saúde. A próxima etapa prevê a instalação de novos equipamentos, como respiradores pulmonares e camas inteligentes, com a meta de chegar a 280 leitos tecnológicos distribuídos em 14 instituições de saúde.
O projeto também inclui o SAMU Inteligente, que busca integrar as equipes de atendimento pré-hospitalar, as Centrais de Regulação e os hospitais. O sistema já está presente em bases de Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife. Com a transmissão dos dados em tempo real, os hospitais podem receber informações sobre o paciente enquanto ele ainda está sendo atendido pela equipe de emergência, facilitando a preparação para sua chegada.
Durante a visita à central, Padilha anunciou ainda a escolha do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI) para administrar o futuro Instituto Tecnológico de Emergência do Hospital das Clínicas da USP. A instituição foi selecionada após o Chamamento Público 14/2026 e será responsável pela gestão do novo espaço, que será construído em São Paulo como parte da modernização dos serviços de emergência do SUS.
Além das iniciativas voltadas às UTIs e ao atendimento de emergência, o ministro visitou o Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas, onde está em funcionamento um novo acelerador linear para o tratamento contra o câncer. O equipamento, modelo Elekta Versa HD, recebeu R$ 8,5 milhões do Ministério da Saúde e permite aplicar a radioterapia com maior precisão, direcionando a radiação para o tumor e reduzindo a exposição dos tecidos e órgãos saudáveis próximos.
A expectativa é que o novo acelerador realize pelo menos 60 procedimentos por mês, chegando a cerca de 720 por ano. Com a ampliação das UTIs inteligentes, a integração do SAMU e a chegada de equipamentos mais avançados para o tratamento do câncer, o Ministério da Saúde pretende aumentar o uso de tecnologia na rede pública e tornar o atendimento mais rápido, integrado e preciso.
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