No Dia Mundial e Nacional da Prematuridade (17), o Ministério da Saúde anunciou o lançamento do novo curso do Método Canguru para Famílias e Comunidades e do Guia de Implementação dos 10 Passos do Cuidado Neonatal. As iniciativas buscam qualificar o atendimento a gestantes e recém-nascidos, reduzir riscos e ampliar a prevenção das complicações associadas à prematuridade — uma das principais causas de mortalidade neonatal e infantil no país.
A coordenadora da área de Atenção à Saúde das Crianças, Adolescentes e Jovens do Ministério da Saúde, Sonia Venancio, destacou que 2025 representa um marco para o enfrentamento da prematuridade. Além da inclusão do Dia Mundial da Prematuridade no calendário global, o Brasil sancionou a Lei nº 15.198, que institui o Dia Nacional da Prematuridade e o mês do Novembro Roxo, dedicado à conscientização sobre o tema.
História de luta e solidariedade
Durante o evento, Neurismar Silva Barbosa emocionou o público ao relatar a história da filha Ana Vitória, nascida com apenas 24 semanas, medindo 30 cm e pesando 600 g. A bebê ficou internada por 93 dias na UTI Neonatal do Hospital Universitário de Brasília (HUB). Enfrentou infecções graves, entre elas meningite neonatal, e não pôde receber leite materno da mãe — sobrevivendo graças às doações do banco de leite.
“Se uma mãe puder doar, que doe. Minha filha viveu graças a esse gesto”, afirmou Neurismar.
Curso do Método Canguru: fortalecimento do cuidado humanizado
O novo curso do Método Canguru para Famílias e Comunidades reforça a importância do contato pele a pele entre pais e bebês prematuros ainda no ambiente hospitalar. A abordagem acompanha toda a trajetória de cuidado, desde a identificação do risco gestacional no pré-natal, passando pelo nascimento e pela internação, até o acompanhamento ambulatorial e o retorno ao domicílio, com participação das Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Guia dos 10 Passos do Cuidado NeonatalApresentado pela pesquisadora do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Maria Auxiliadora Gomes, o guia oferece orientações detalhadas para maternidades e unidades neonatais qualificarem o atendimento ao recém-nascido de risco. O documento integra a estratégia QualiNEO e busca reduzir a mortalidade neonatal por meio de protocolos clínicos e de gestão voltados para bebês prematuros e críticos.
“O guia reforça iniciativas educacionais já existentes e precisa alcançar gestores e equipes técnicas para transformar a assistência”, destacou a pesquisadora.
Vivências e apoio emocional às famílias
A atriz e psicóloga Maria Paula, embaixadora da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, também compartilhou sua experiência como mãe de prematura. Ela destacou o impacto emocional do período de UTI e o valor da doação de leite como gesto de esperança e solidariedade.
Prematuridade no Brasil
O Brasil figura entre os 10 países com maiores taxas de prematuridade. Dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) mostram que as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste registraram, em 2023, índices acima da média nacional, chegando a 11,96%.
Crianças indígenas e pretas aparecem como as mais afetadas, refletindo desigualdades étnico-raciais no acesso e na qualidade do cuidado.
Ações do Ministério da Saúde para reduzir a prematuridade
Entre as medidas anunciadas ou ampliadas pelo Ministério da Saúde:
- 500 mil implantes contraceptivos distribuídos a adolescentes de 14 a 17 anos, com previsão de 1,8 milhão até 2026, para prevenir gravidez não planejada — uma das causas associadas à prematuridade.
- A Rede Alyne teve recursos triplicados para exames pré-natais, de R$ 55 para R$ 144, além da criação de ambulatórios de alto risco com custeio anual de R$ 1,2 milhão.
- Inclusão do indicador “Cuidado com a Gestante e Puérpera” no cofinanciamento federal, monitorando 11 boas práticas do pré-natal ao pós-parto.
- Construção prevista de 28 centros de parto normal até 2026, com investimento total de R$ 93 milhões.
- Repasse de R$ 117 milhões para municípios aplicarem em testes rápidos de gravidez e exames pré-natais entre 2024 e 2025.
Como o SUS organiza o cuidado à gestante de risco
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera prematuros os bebês nascidos com menos de 37 semanas de gestação. No SUS, a Rede Alyne organiza o cuidado desde a atenção primária, com identificação do risco pelas UBS e encaminhamento para ambulatório de gestação de alto risco, quando necessário. O atendimento envolve equipes multiprofissionais (eMulti), reforçando a integralidade do cuidado.
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