Roncar é um hábito comum que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Muitas vezes tratado como motivo de piada ou apenas um incômodo para quem dorme ao lado, o ronco nem sempre é inofensivo. Em alguns casos, ele pode ser um sinal de distúrbios respiratórios mais graves, como a síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), que pode comprometer seriamente a qualidade de vida e a saúde cardiovascular.
Segundo a Associação Brasileira do Sono, cerca de 33% da população adulta brasileira ronca com frequência. O número é ainda maior entre homens e pessoas com sobrepeso. Apesar de nem todo ronco ser perigoso, os especialistas recomendam atenção a alguns sinais de alerta.
Quando se preocupar com o ronco?
De acordo com o pneumologista e especialista em medicina do sono Dr. Lucas Andrade, o ronco deve ser investigado quando:
- É frequente e alto o suficiente para acordar outras pessoas;
- Vem acompanhado de pausas na respiração durante o sono;
- A pessoa acorda com sensação de sufocamento ou engasgo;
- Há sonolência excessiva durante o dia, dificuldade de concentração ou irritabilidade;
- O sono parece não ser reparador, mesmo após muitas horas.
Esses sintomas podem indicar apneia do sono, uma condição na qual as vias respiratórias se fecham temporariamente durante o sono, reduzindo o fluxo de oxigênio.
Riscos da apneia do sono
A apneia não tratada pode provocar uma série de complicações, como:
- Hipertensão arterial
- Doenças cardiovasculares, como infarto e AVC
- Diabetes tipo 2
- Problemas cognitivos e de memória
- Depressão e transtornos de humor
“Quem tem apneia pode parar de respirar por alguns segundos centenas de vezes por noite. Isso aumenta o risco de morte súbita e reduz drasticamente a qualidade do sono”, alerta Dr. Lucas.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico geralmente é feito por meio da polissonografia, um exame que monitora a atividade cerebral, respiratória e cardíaca durante o sono. O tratamento depende do grau da apneia e pode incluir:
- Mudança de hábitos de vida, como perda de peso e evitar álcool ou sedativos antes de dormir;
- Uso de CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas);
- Aparelhos intraorais;
- Em alguns casos, cirurgias corretivas das vias aéreas superiores.
Prevenção e qualidade do sono
Além de buscar ajuda médica, algumas atitudes simples podem reduzir ou evitar o ronco:
- Dormir de lado (e não de barriga para cima);
- Manter um peso corporal saudável;
- Evitar refeições pesadas à noite;
- Tratar alergias respiratórias e obstruções nasais;
- Criar uma rotina de sono regular e ambientes propícios ao descanso.
O ronco não deve ser ignorado, especialmente quando interfere na qualidade do sono ou vem acompanhado de sintomas como pausas respiratórias ou cansaço diurno. Procurar ajuda especializada é essencial para garantir saúde e bem-estar a longo prazo.
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