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Reajuste dos planos de saúde coletivos cai para 9,9% em 2026, menor índice em cinco anos

Apesar da desaceleração, aumento médio autorizado pelas operadoras segue acima da inflação oficial registrada no país.

redação Por redação
09/05/2026 - 18:30
em Saúde
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Planos de saúde coletivos registram reajuste médio de 9,9% em 2026, menor patamar em cinco anos, mas ainda superior à inflação oficial medida pelo IPCA.

Imagem: Fotografia EBC

Os planos de saúde coletivos tiveram reajuste médio de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Embora represente a menor alta registrada nos últimos cinco anos, o percentual ainda supera em mais do que o dobro a inflação oficial acumulada no período.

De acordo com a agência reguladora, a última vez em que os reajustes médios ficaram abaixo do patamar atual foi em 2021, durante a pandemia da covid-19, quando os planos coletivos tiveram aumento médio de 6,43%.

Os planos coletivos incluem contratos empresariais, associações de classe e planos firmados por microempreendedores individuais. Atualmente, eles representam a maior parte do mercado de saúde suplementar no Brasil.

Confira a evolução média dos reajustes dos planos coletivos nos últimos anos:

  • 2016 – 15,74%
  • 2017 – 14,24%
  • 2018 – 11,96%
  • 2019 – 10,55%
  • 2020 – 7,71%
  • 2021 – 6,43%
  • 2022 – 11,48%
  • 2023 – 14,13%
  • 2024 – 13,18%
  • 2025 – 10,76%
  • 2026 – 9,90%

Segundo especialistas do setor, a redução observada em 2021 ocorreu principalmente devido à queda na utilização dos serviços médicos durante o isolamento social provocado pela pandemia. Consultas, exames e cirurgias eletivas foram adiados, reduzindo temporariamente os custos das operadoras.

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Mesmo com a desaceleração registrada em 2026, o reajuste ainda permanece acima da inflação oficial do país. Em fevereiro deste ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 3,81%.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) costuma criticar reajustes considerados elevados e acima da inflação, apontando impacto direto no orçamento das famílias e empresas.

A ANS, por outro lado, afirma que a comparação direta entre inflação e reajuste dos planos não é adequada. Segundo a agência, os cálculos levam em conta fatores específicos do setor de saúde, como custos hospitalares, exames, tratamentos e frequência de utilização dos serviços pelos beneficiários.

Nos contratos coletivos, diferentemente dos planos individuais e familiares, os reajustes são definidos por negociação entre a operadora e a empresa ou entidade contratante.

Nos planos com até 29 beneficiários, as operadoras aplicam um mesmo percentual de reajuste para todos os contratos daquele grupo. Já os contratos com 30 vidas ou mais possuem negociações próprias.

Os dados da ANS mostram que, nos primeiros meses de 2026, os planos com 30 ou mais vidas tiveram reajuste médio de 8,71%. Já os contratos menores, com até 29 beneficiários, registraram aumento médio de 13,48%.

Ainda segundo a agência, cerca de 77% dos clientes pertencem à categoria de planos com 30 vidas ou mais.

Os números mais recentes da saúde suplementar apontam que o Brasil encerrou março de 2026 com aproximadamente 53 milhões de vínculos em planos de saúde, crescimento de 906 mil contratos em relação ao ano anterior. Desse total, 84% pertencem a planos coletivos.

Em relação ao desempenho financeiro do setor, a ANS informou que as operadoras registraram receita total de R$ 391,6 bilhões em 2025. O lucro líquido acumulado chegou a R$ 24,4 bilhões, o maior já contabilizado pela saúde suplementar brasileira.

Na prática, isso significa que, para cada R$ 100 arrecadados pelas operadoras, cerca de R$ 6,20 ficaram como lucro.

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