Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Ceará (UFC) criou um jogo de realidade virtual voltado ao fortalecimento do equilíbrio e à prevenção de quedas entre pessoas idosas. A ferramenta foi desenvolvida com a participação do próprio público-alvo e apresentou índice de concordância de 91,42% em relação à usabilidade e de 100% na avaliação da experiência dos usuários.
A participação dos idosos aconteceu desde a etapa de desenvolvimento da tecnologia. Pesquisadores trabalharam diretamente com esse público para adaptar a dinâmica do jogo e as interfaces às necessidades motoras e cognitivas dessa faixa etária. A estratégia ajudou a tornar a ferramenta mais acessível e favoreceu a aceitação durante os exercícios.
O recurso já ultrapassou a etapa de pesquisa e vem sendo utilizado em atividades de educação em saúde promovidas por projetos de extensão da UFC. Professores e pesquisadores aplicam o jogo com grupos comunitários de idosos, levando os resultados produzidos na pós-graduação para ações práticas de promoção da saúde.
Apesar da proposta inovadora, o jogo não recebeu registro de patente. De acordo com as informações do estudo, a tecnologia foi enquadrada como uma modalidade de jogo que utiliza recursos já existentes ou relacionados a tecnologias conhecidas. Mesmo assim, a ferramenta permanece disponível para utilização educacional, científica e assistencial pela comunidade acadêmica.
A pesquisa responde a um problema relevante de saúde pública. Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2025, o Brasil registrou 85.169 atendimentos ambulatoriais, 48.576 internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 9.050 mortes de pessoas idosas provocadas por quedas. O número representa uma média de aproximadamente 24 óbitos por dia.
Grande parte dos acidentes acontece dentro de casa, principalmente em quartos e banheiros. Entre os fatores que aumentam o risco estão pisos escorregadios, falta de barras de apoio, iluminação inadequada, tapetes soltos e o uso de vários medicamentos que podem provocar tontura. Por isso, especialistas recomendam medidas como adaptar os ambientes, utilizar corretamente bengalas e andadores, manter acompanhamento médico e praticar atividades que estimulem o equilíbrio.
A tecnologia desenvolvida pela UFC integra uma área conhecida como gerontecnologia, que utiliza recursos tecnológicos para atender necessidades relacionadas ao envelhecimento. A proposta busca transformar exercícios de prevenção em uma atividade interativa, facilitando a participação dos idosos e aproximando a tecnologia das ações de cuidado e educação em saúde.
O trabalho também recebeu reconhecimento acadêmico. A tese “Gerontecnologia do tipo jogo sério de realidade virtual para prevenção de quedas em pessoas idosas”, de autoria da pesquisadora Jamylle Lucas Diniz e desenvolvida no programa de pós-graduação em enfermagem da UFC, conquistou o Prêmio Capes de Tese de 2026. Concedida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a premiação reconhece trabalhos de doutorado de destaque em 50 áreas do conhecimento, considerando aspectos como originalidade, inovação, impacto social e contribuição científica.
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