O Ministério da Saúde mobilizou uma equipe emergencial para reforçar o atendimento na base polo de Surucucu, localizada na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A ação, divulgada na última quarta-feira (18), é uma resposta ao aumento de casos de coqueluche entre crianças da região — já são oito registros confirmados e três óbitos.
A coqueluche é uma infecção respiratória bacteriana altamente contagiosa. Os primeiros sintomas costumam incluir crises de tosse seca, podendo evoluir para quadros mais graves, principalmente em crianças pequenas.
A equipe enviada chegou à região na segunda-feira (16) e conta com especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS, com experiência na contenção de surtos e no monitoramento de doenças infecciosas.
Reforço na assistência e prevenção
O grupo atuará em conjunto com o Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei Yanomami), que já realizava coletas de material e ações preventivas em aldeias próximas. Ao todo, 50 profissionais irão reforçar tanto a prevenção de novos casos quanto a assistência à população local.
As crianças infectadas estão internadas em hospitais de Boa Vista. Duas já receberam alta e retornaram às respectivas aldeias. Os casos suspeitos seguem sob investigação e acompanhamento das equipes de saúde.
Vacinação é principal forma de prevenção
A vacinação é considerada a principal estratégia de prevenção contra a coqueluche. No Brasil, o imunizante é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças de até 7 anos e gestantes, nas Unidades Básicas de Saúde.
Segundo o Dsei Yanomami, a cobertura vacinal apresentou avanço nos últimos anos. Entre crianças menores de 1 ano, o esquema completo passou de 29,8% em 2022 para 57,8% em 2025. Já entre menores de 5 anos, o índice subiu de cerca de 52% para 73% no mesmo período.
Contexto de emergência sanitária
Em 2023, o Governo Federal decretou estado de emergência em saúde pública na Terra Indígena Yanomami diante do aumento de casos de desnutrição, malária e mortes por diversas causas.
A crise foi associada ao avanço do garimpo ilegal na região. Desde então, ações integradas envolvendo os ministérios da Saúde, Defesa e Povos Indígenas foram implementadas para fortalecer a assistência médica e a segurança no território.
Entre as medidas adotadas estão o fechamento de garimpos ilegais, o controle do espaço aéreo, ações de despoluição de rios, ampliação do acesso à água potável e construção de unidades especializadas de saúde.
Em 2023, o Dsei contava com 690 profissionais. Desde então, foram contratados mais 1.165 trabalhadores, um aumento de 169% na força de trabalho. De acordo com dados de 2025 do Ministério da Saúde, a mortalidade na região caiu 27,6% desde a decretação do estado de emergência.
Apesar dos avanços, lideranças indígenas afirmam que ainda há desafios estruturais importantes a serem superados. Com população superior a 30 mil pessoas distribuídas em cerca de 376 comunidades, a Terra Indígena Yanomami é o maior território indígena do país.
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