O Ministério da Saúde emitiu um alerta sobre a possibilidade de reintrodução e disseminação do sarampo no Brasil diante do aumento do fluxo de viajantes para a Copa do Mundo de 2026, que será realizada entre junho e julho nos Estados Unidos, Canadá e México — países que enfrentam surtos ativos da doença.
Segundo nota técnica da pasta, o cenário epidemiológico nas Américas é preocupante, com alta transmissibilidade do vírus e circulação ativa em diversas regiões. A combinação entre esse contexto e o grande número de brasileiros que devem viajar para o evento eleva o risco de entrada de casos no país.
De acordo com o documento, existe a possibilidade de que viajantes brasileiros retornem infectados ou que estrangeiros contaminados entrem no território nacional, o que pode favorecer novos surtos.
A principal estratégia para evitar esse cenário, segundo o Ministério da Saúde, é a vacinação. O órgão reforça que manter a caderneta atualizada e intensificar a vigilância nos serviços de saúde são medidas essenciais para preservar o status do Brasil como país livre da circulação endêmica do sarampo.
Orientações para quem vai viajar
Para quem pretende acompanhar a Copa do Mundo de 2026 presencialmente, o ministério recomenda alguns cuidados básicos;
- verificar se tomou as doses da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola
- tomar a vacina com pelo menos 15 dias de antecedência antes da viagem
- ficar atento a sintomas ao retornar ao Brasil, como febre e manchas vermelhas no corpo, e procurar atendimento médico imediatamente, informando o histórico de viagem
O alerta destaca que eventos internacionais de grande porte favorecem a circulação de doenças transmissíveis devido à intensa mobilidade de pessoas entre países. A Copa do Mundo deve reunir milhões de visitantes de diferentes partes do mundo, ampliando o risco de disseminação de vírus como o do sarampo.
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida principalmente por gotículas respiratórias expelidas ao tossir, espirrar ou falar. Em ambientes com grande concentração de pessoas, a disseminação pode ocorrer de forma rápida.
Dados globais apontam que, em 2025, foram registrados mais de 248 mil casos da doença, evidenciando que o vírus ainda representa uma ameaça relevante à saúde pública mundial.
Nas Américas, o avanço da doença é significativo. O Canadá perdeu o certificado de país livre do sarampo após registrar mais de 5 mil casos em 2025. O México também apresentou aumento expressivo, passando de poucos casos em 2024 para milhares no ano seguinte. Já os Estados Unidos contabilizaram mais de 2 mil registros em 2025 e centenas apenas no início de 2026.
Esse cenário levou à perda do status da região como livre da transmissão endêmica da doença em novembro de 2025.
Apesar do avanço da doença em outros países, o Brasil mantém, desde 2024, o reconhecimento de área livre da circulação endêmica do vírus. Em 2025, foram notificados quase 4 mil casos suspeitos, com 38 confirmações. A maioria dos casos confirmados ocorreu em pessoas não vacinadas, o que reforça a importância da imunização.
Já em 2026, até março, foram registrados dois casos confirmados, ambos em pessoas sem histórico vacinal e com possível relação com viagens internacionais.
Para especialistas em imunização, o risco de reintrodução do sarampo no país é concreto, especialmente em um cenário de aumento de viagens internacionais.
A recomendação é manter altas coberturas vacinais, fortalecer a vigilância epidemiológica e garantir que profissionais de saúde estejam preparados para identificar rapidamente possíveis casos, adotando medidas como isolamento e investigação.
vacinação é a principal proteção
O Ministério da Saúde reforça que a vacina continua sendo a forma mais eficaz de prevenção. No Brasil, ela é oferecida gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações.
As orientações variam conforme a faixa etária:
- crianças de 6 a 11 meses devem receber a chamada “dose zero” antes da viagem
- pessoas de 12 meses a 29 anos precisam de duas doses
- adultos entre 30 e 59 anos devem ter pelo menos uma dose
Mesmo fora do prazo ideal, a recomendação é tomar a vacina antes da viagem, inclusive no dia do embarque, se necessário.
O alerta final do ministério é de que a combinação entre baixa cobertura vacinal em alguns grupos, aumento do fluxo internacional e surtos ativos em outros países eleva significativamente o risco de novos casos e possíveis epidemias no Brasil.
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