O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta quarta-feira (16) que as mudanças climáticas já representam uma crise de saúde pública no Brasil e em outras partes do mundo. Durante uma coletiva de imprensa, ele destacou a necessidade de preparar os serviços de saúde para lidar com os efeitos provocados pelo aumento das temperaturas e pela ocorrência de eventos climáticos extremos.
Segundo Padilha, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma em cada quatro mortes registradas no mundo tenha alguma relação com as mudanças climáticas. O ministro citou como exemplo a expansão do mosquito Aedes aegypti para regiões onde sua presença era menos comum, como o Reino Unido.
O aumento das temperaturas também pode favorecer a presença do mosquito transmissor da dengue em áreas do Brasil que historicamente registram menos casos. Padilha mencionou especialmente a possibilidade de expansão da doença para estados da Região Sul, incluindo o Rio Grande do Sul, além de destacar os efeitos das ondas de calor sobre doenças crônicas, principalmente problemas cardiovasculares.
As mudanças no clima também preocupam as autoridades por causa do aumento de eventos extremos, como enchentes, deslizamentos e períodos prolongados de calor. Ao comentar a preparação do país para situações semelhantes às fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, o ministro afirmou que o Brasil está atualmente mais preparado para responder a esse tipo de emergência.
Apesar dos avanços, Padilha ressaltou que é necessário manter a atenção. “Mas todo cuidado é pouco”, afirmou. Segundo o ministro, o estado de alerta e os mecanismos de vigilância precisam ser mantidos em todas as regiões brasileiras, já que os impactos do clima podem atingir diferentes áreas do país de maneiras distintas.
Outro ponto de preocupação é a influência do fenômeno El Niño sobre as condições climáticas brasileiras. Dados apresentados pelo Ministério da Saúde indicam que os efeitos do fenômeno devem se intensificar no país a partir deste mês, aumentando a necessidade de monitoramento e preparação dos serviços públicos.
O secretário-executivo adjunto do Ministério da Saúde, Nilton Pereira, afirmou que o Brasil poderá enfrentar um El Niño de forte intensidade. Segundo ele, existe a possibilidade de o fenômeno atingir um dos maiores níveis já registrados na série histórica, com efeitos que podem permanecer no país pelo menos até março de 2027.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde defende o fortalecimento da capacidade de resposta do sistema público, com vigilância permanente e preparação para diferentes situações de emergência. A preocupação envolve não apenas doenças transmitidas por mosquitos, mas também problemas associados ao calor extremo e aos impactos de enchentes e outros eventos climáticos sobre a saúde da população.
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