A ciência brasileira acaba de dar um passo importante na busca por tratamentos menos invasivos e mais eficazes para complicações do diabetes. Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Pernambuco (UPE) mostra que a terapia com luz de LED pode acelerar o processo de cicatrização em feridas causadas pelo chamado “pé diabético”, uma das principais causas de amputações no país.
A pesquisa foi conduzida no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC-UPE) e envolveu pacientes com úlceras crônicas nos pés, uma complicação comum entre pessoas com diabetes tipo 2. O tratamento experimental utilizou uma combinação de luzes LED nas cores vermelha e azul, aplicadas diretamente sobre as feridas. Segundo os resultados preliminares, a técnica estimulou a regeneração dos tecidos e reduziu o processo inflamatório, favorecendo uma cicatrização mais rápida e segura.
De acordo com os pesquisadores, a luz vermelha atua na estimulação celular e na produção de colágeno, enquanto a luz azul tem efeito antimicrobiano, ajudando a evitar infecções. “O uso combinado dessas faixas de luz potencializa o processo de cura, melhorando a oxigenação e promovendo o fechamento das feridas de forma mais eficiente”, explica um dos autores do estudo.
O método, conhecido como fotobiomodulação, tem a vantagem de ser indolor, não invasivo e de baixo custo, o que torna sua aplicação viável tanto em clínicas privadas quanto no Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa é que, com mais estudos e padronização dos protocolos, a terapia possa ser incorporada como tratamento complementar em centros especializados de cuidado com o pé diabético.
Especialistas destacam que o avanço é promissor, mas ainda requer acompanhamento clínico de longo prazo. “A luz de LED pode se tornar uma grande aliada no tratamento e na prevenção de amputações, mas deve sempre ser associada a cuidados básicos, como controle rigoroso da glicemia, higiene e uso de calçados adequados”, ressalta a endocrinologista Marina Tavares.
O diabetes afeta mais de 16 milhões de brasileiros, segundo o Ministério da Saúde, e é uma das principais causas de amputações não traumáticas no mundo. Aproximadamente 85% dos casos começam com pequenas feridas que não cicatrizam, tornando essencial o desenvolvimento de terapias que estimulem a regeneração dos tecidos.
Com resultados animadores e grande potencial de expansão, a fototerapia com LED pode representar um novo capítulo na medicina regenerativa e transformar o cuidado com pés diabéticos em todo o país.
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