Um algoritmo de inteligência artificial conseguiu identificar, a partir de uma única imagem de retinografia, se um paciente tem glaucoma. O avanço representa um passo importante no diagnóstico precoce da doença, que é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo.
O glaucoma é uma doença ocular que danifica o nervo óptico, responsável por transmitir as informações visuais ao cérebro. Esse dano é progressivo e irreversível, e pode levar à perda parcial ou total da visão se não for tratado a tempo.
De acordo com o oftalmologista Rodrigo Lindenmeyer, coordenador do Setor de Glaucoma do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, a tecnologia ainda está em fase de pesquisa, mas os resultados são promissores. O algoritmo demonstrou maior sensibilidade do que o software atualmente integrado aos aparelhos de exame.
“A inteligência artificial ainda é incipiente na prática médica, mas promete criar métodos mais baratos, portáteis e acessíveis, principalmente em áreas com menor acesso à saúde”, afirmou Lindenmeyer. Ele acredita que a tecnologia poderá estar disponível para uso clínico dentro de aproximadamente dez anos.
O que é o glaucoma e quem é afetado
O glaucoma é conhecido como o “ladrão silencioso da visão” porque, em seus estágios iniciais, não apresenta sintomas perceptíveis. A pressão ocular pode estar alta, mas o paciente não sente dor nem percebe alterações visuais até que a doença já esteja avançada.
Estima-se que cerca de 64 milhões de pessoas em todo o mundo vivam com glaucoma, e metade delas não sabe que tem a doença. No Brasil, aproximadamente 2,5 milhões de pessoas podem ser portadoras, segundo estimativas de entidades médicas.
A falta de diagnóstico precoce e de revisões oftalmológicas periódicas contribui para o avanço silencioso da enfermidade, que exige acompanhamento constante para evitar a perda visual irreversível.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito por meio de exames oftalmológicos completos, que incluem medição da pressão intraocular e avaliação do nervo óptico. Quando identificado precocemente, o glaucoma pode ser controlado com colírios, uso de laser ou cirurgia, dependendo do caso.
O tratamento tem como principal objetivo estabilizar a pressão ocular e evitar o avanço da doença. No entanto, perdas de visão já ocorridas não podem ser recuperadas.
Os fatores de risco aumentam com a idade, especialmente após os 40 anos, e são maiores entre pessoas com histórico familiar da doença, afrodescendentes, asiáticos, mulheres e indivíduos míopes.
A expectativa é que, com o avanço da inteligência artificial, exames de detecção precoce se tornem mais baratos e disponíveis em locais com poucos recursos, reduzindo o número de pessoas que desconhecem o diagnóstico e prevenindo novos casos de cegueira.
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