O Hackathon SUS – Desafio Tecnológico realizou, nos dias 6 e 7 de outubro, em Curitiba (PR), a última seletiva regional do programa. O encontro reuniu startups da Região Sul que apresentaram soluções tecnológicas para enfrentar desafios relacionados ao câncer e aprimorar o atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Três iniciativas foram selecionadas para avançar à etapa nacional, prevista para 4 de dezembro.
Promovido pelo Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), o programa busca aproximar empreendedores, pesquisadores, profissionais de saúde e instituições públicas para desenvolver soluções voltadas às necessidades da população. A iniciativa incentiva tecnologias que possam contribuir para a prevenção, a identificação precoce de doenças e a melhoria dos tratamentos oferecidos na rede pública.
Durante a seletiva, as equipes participaram de mentorias, apresentaram seus projetos a especialistas e acompanharam uma palestra sobre o ciclo regulatório de dispositivos médicos. A avaliação considerou critérios como o estágio de desenvolvimento das tecnologias e o potencial de aplicação no SUS. Para a coordenadora-geral de Dispositivos Médicos da SCTIE, Fotini Santos Toscas, a colaboração entre diferentes áreas é essencial para que a inovação produza resultados concretos na assistência à saúde.
Uma das finalistas foi a Hyla Biotech, liderada pelo pesquisador Leonardo Foti, que desenvolveu um sensor capaz de identificar, em uma amostra de sangue, sinais que podem indicar a presença de tumor de mama. Segundo a equipe, o resultado fica pronto em aproximadamente quatro horas. A tecnologia não substitui exames como mamografia e biópsia, mas poderá funcionar como ferramenta complementar para sinalizar a necessidade de investigação médica e ajudar a ampliar o acesso ao diagnóstico.
Outra iniciativa selecionada foi desenvolvida pela ConnectBio Soluções Biotecnológicas, coordenada pelo professor Alexandre Rieger. A equipe adaptou uma tecnologia molecular para criar um teste que utiliza amostra coletada da parte interna da bochecha, com o objetivo de identificar características genéticas associadas ao risco de toxicidade da fluoruracila (5-FU), medicamento utilizado em tratamentos contra o câncer. De acordo com o pesquisador, o procedimento pode apresentar resultados em cerca de 40 a 45 minutos e fornecer informações complementares para apoiar a avaliação das equipes de saúde, sem substituir a análise clínica.
A terceira finalista é a PIPAC Brasil, que desenvolveu a ferramenta CarciNoChat sob a liderança do cirurgião oncológico Rafael Seitenfus. O sistema foi criado para auxiliar centros especializados na avaliação da carcinomatose peritoneal, condição caracterizada pela disseminação de células cancerígenas no revestimento interno do abdômen. Durante procedimentos de videolaparoscopia, a tecnologia analisa imagens para identificar lesões e contribuir para o acompanhamento da resposta ao tratamento, oferecendo suporte à avaliação dos especialistas.
Com o encerramento da fase regional em Curitiba, as equipes classificadas nas diferentes regiões do país se preparam para a etapa nacional do Hackathon SUS, marcada para 4 de dezembro. O objetivo será apresentar propostas capazes de transformar conhecimento científico em soluções aplicáveis aos desafios da saúde pública. A expectativa é estimular tecnologias que contribuam para diagnósticos mais rápidos, decisões clínicas mais precisas e melhores condições de atendimento aos pacientes do SUS.
O programa conta com a participação de parceiros como o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a HU Brasil e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). A articulação entre essas instituições busca aproximar pesquisa, empreendedorismo e serviços de saúde, favorecendo o desenvolvimento de soluções tecnológicas alinhadas às necessidades da população brasileira.
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