O governo federal reconheceu situação de emergência em saúde pública no município de Dourados devido ao avanço de doenças infecciosas virais, com destaque para a Chikungunya. A decisão ocorre após decreto da prefeitura, publicado na última sexta-feira (27), diante do aumento de casos na cidade.
Dados do boletim epidemiológico apontam um cenário preocupante. Na área urbana, são 1.455 casos prováveis, 785 confirmados, 900 em investigação e 39 internações. Já na Reserva Indígena de Dourados, há 1.168 casos prováveis, 629 confirmados, 539 em investigação, além de sete internações, 428 atendimentos hospitalares e cinco óbitos confirmados.
Vacinação e resposta emergencial
A Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul informou que o estado receberá doses da vacina contra chikungunya como parte de uma estratégia piloto do Ministério da Saúde. A medida foi adotada após solicitação formal, motivada pelo cenário crítico, especialmente em territórios indígenas.
O que é a chikungunya
A chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e do zika. O vírus chegou às Américas em 2013 e foi identificado no Brasil em 2014, inicialmente nos estados do Amapá e da Bahia.
Atualmente, todos os estados brasileiros registram transmissão da doença, com expansão significativa nos últimos anos, incluindo maior incidência na Região Sudeste.
Sintomas mais comuns
Entre os principais sintomas da chikungunya estão:
- febre alta
- dores intensas nas articulações
- dor muscular e de cabeça
- manchas vermelhas na pele
- dor atrás dos olhos
- náuseas e vômitos
- conjuntivite não purulenta
- inchaço nas articulações
Casos mais graves podem evoluir para complicações neurológicas, como encefalite e síndrome de Guillain-Barré, além de risco de morte.
Fases da doença
A infecção pode evoluir em três etapas:
- fase aguda (5 a 14 dias)
- fase pós-aguda (15 a 90 dias)
- fase crônica (acima de 90 dias)
Em mais de 50% dos casos, a dor nas articulações pode se tornar crônica, persistindo por meses ou até anos.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico deve ser feito por avaliação clínica e exames laboratoriais disponíveis no Sistema Único de Saúde.
Não há tratamento antiviral específico para a doença. O cuidado é baseado no alívio dos sintomas, com hidratação, controle da dor e acompanhamento médico. Em casos mais graves, pode ser necessária fisioterapia.
As autoridades de saúde reforçam que, ao apresentar sintomas, a população deve procurar atendimento médico e evitar a automedicação, que pode agravar o quadro ou dificultar o diagnóstico.
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